25 de janeiro de 2017

La La Land - Cantando Estações

Quando conseguimos nos transportar para a tela e esquecer alguns minutos da nossa vida real, a meu ver, podemos dizer que o filme é de sucesso. Mesmo que este sucesso seja individual para o telespectador único sentado na poltrona. Qual é o valor de uma obra (filme)?

Começar um filme/musical (La La Land - Cantando Estações, 2016) com um ousado plano sequência em uma rodovia em direção a Los Angeles em um engarrafamento de carros, por si só ja é ousado! Não pelo fato em si, mas pela técnica apurada, coreografia exímia e por bailarinos rodopiando admiravelmente! Como se não bastasse, temos ainda a direção de um jovem e talentoso Damien Chazelle (com um sucesso já aclamado pela crítica "Whiplash") que ousa sem medo e acerta em cada mistura de fantasia e realidade, sonhos e frustrações, alegrias e choros... um mix que nos faz percorrer todas as emoções que normalmente treinamos esconder e domesticá-las. Aquelas emoções que nos colocam em fragilidade emocional e aprendemos a duras penas não demonstrá-las.

Falar de Jazz de forma apaixonante é a vida do pianista vivido por Ryan Gosling que se esforça para cantar, dançar e tocar piano... convence, embora fique claro o seu esforço para tal!
Já Emma Stone, aspirante à atriz e trabalha como barista na Warner Bros, o dançar e o cantar soa como viscerais, tais como se ela estivesse realmente vivendo o papel de sua vida! Convence, emociona e nos tira os pés do chão diante de tamanha entrega pela personagem!

O musical nos faz pensar nos sonhos que abandonamos ao longo da vida, nos desejos retraídos, nas frustrações mal resolvidas, nas escolhas mal feitas, nos acasos da vida e o quanto somos responsáveis - ou não - por tudo isso! Reflexão digna de Descartes: "É necessário que ao menos uma vez na vida você duvide, tanto quanto possível, de todas as coisas".

Uma homenagem explícita ao grandes musicais. É o renascimento deste gênero. É um filme obrigatório. É sem dúvida, um forte concorrente à famosa estatueta Americana.