25 de julho de 2014

"Feicibuque e zapi zapi"... um novo estilo de vida?!

É inegável que a tecnologia nos aproximou e trouxe inúmeras facilidades à nossa atribulada vida contemporânea. Isso, sem falar na saúde e nas possiblidades de cura e tratamento para diversas doenças até então incuráveis.

Podemos efetuar compras, ler notícias, estudar, adquirir conhecimento dos mais variados assuntos, assistir a filmes e documentários, entender a cultura de outro país, aplicar dinheiro, jogar etc. Podemos matar saudades daquela pessoa querida que está do outro lado do planeta, e com apenas com um clique… voilà… podemos ver e ouvir o ente querido com uma assustadora rapidez e perfeição, tal como se estivesse ao nosso lado. Infinitas possibilidades estão diante de nossas mãos. Um mundo sedutor. E como toda sedução, esconde o perigo em suas entranhas. A serpente que nos seduz a morder a maça. Depois da mordida, inevitavelmente, nos vemos viciados e dependentes tecnológicos. E como tudo na vida, se exercitamos uma característica excessivamente, outra ficará atrofiada. Obter quase tudo rápido e pronto, dentre outras tantas coisas, nos deixa preguiçosos e acomodados.

Uma ferramenta popular e muito utilizada atualmente é o facebook – aquele aplicativo desenvolvido, a princípio, para conectar pessoas. Ninguém quer saber o endereço postal de ninguém (carta ou cartão postal já são objetos de museu), muito menos utilizar o telephone fixo (será que vai durar até quando?!). As pessoas querem o seu whatsApp (popular aplicativo para smartphones criado para troca de mensagens de texto, video e imagens, que utiliza seu número de celular para se conectar) e seu e-mail para encontrá-lo nas redes sociais.

Esta grande maioria, quando embrenhada nas redes sociais, quer parecer feliz, bem-sucedida, descolada, rica, querida e ocupada. Nesta linha, temos as famigeradas “selfies” com seu inseparável ‘bico de pato’ e os dedinhos em forma de ‘V’. E temos autofotografias em situações e cenários cada vez mais inacreditáveis. Ontem mesmo pude ver uma fotografia em uma matéria do NY Post sobre redes sociais na qual uma jovem sorridente estava com o complexo dos campos de concentração de Auschwitz ao fundo e sorria para a camera, com dedinhos em ‘V’ e com a legenda: Estou em Auschwitz!!!
Será que ela realmente tem ideia do que aquele lugar representa para toda a humanidade?!

Todos querem postar lugares lindos, look com roupas estilosas, festas interessantes, viagens divertidas, jantares com amigos queridos… um conto de fadas moderno. Podemos dizer que querem compartilhar os momentos felizes com as pessoas que conhecem. Sim, pode ser esta a verdade para uma pequena parcela. Raramente alguém quer destacar o dia que acordou atrasado e está com cara amassada ou mesmo o rosto sem maquiagem nem tampouco o cabelo sem a indefectível chapinha. Não queremos falar do dia-a-dia como ele é, queremos falar apenas do que parece ser agradável e daquilo que pode nos elevar diante da percepção alheia.

Somos felizes, alegres e sorridentes no mundo virtual. No mundo real, temos inúmeros zumbis com fones de ouvido que perambulam sem saber ao menos como se comportar ao lado de outras pessoas. Olhar nos olhos, jogar conversa fora numa fila de banco, dizer ‘por favor’ ou ‘obrigado, oferecer ajuda para segurar a porta do elevador, dar passagem de carro a um pedestre etc, virou raridade, pois todos estão ocupados com os dedinhos nervosos à procura de algo – que nem sabem exatamente o quê - em seus celulares. Muitos, sem saber o que querem, fingem mexer em seus aparelhos na intenção de parecer ocupado diante de um lugar publico – evitando assim ter que se conectar com o mundo real. Válvula de escape. Fecha-se para o mundo real e vive-se na virtualidade. Alguns estudiosos já afirmam que vivemos mais tempo no mundo virtual do que no real.

Mundo real não permite filtro na imagem para faze-la mais interessante nem tampouco edição no que se fala ou ouve. Sem photoshop a vida parece cruel e sem piedade. Perdemos a capacidade de nos comunicar com quem está ao nosso lado. Estamos ocupados em valorizar quem está distante ou simplesmente do outro lado do aparelho celular.

O interessantíssimo filme “Ela” (HER, EUA 2014) protagonizado por Joaquin Phoenix levanta questões cruciais para a sociedade atual. Uma delas é a banalização das relações interpessoais e a possibilidade de se relacionar com uma máquina – no caso um sistema operacional – que poderá suprir algumas necessidades humanas de forma mais rápida e objetiva do que um humano seria capaz. E mostra como estamos caminhando para um mundo onde a solidão é inevitável. Onde as buscas por prazer tornam-se mecânicas e insossas.

Seria clichê questionar a nova forma de relação humana através da tecnologia ou seria, por um outro lado, apenas um desconforto que a realidade nos oferece?



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