11 de julho de 2013

Gatsby X Meia-noite

Sim, eu sei que a luta é totalmente descabível. Não se pode comparar obras tão distintas no propósito e na origem... mas os opostos também são interessantes! A dualidade é muito pertinente neste caso. Enquanto um explora o plástico, o outro aprofunda o inefável e o emocional.

Quando sentei-me no escurinho mágico do cinema para assistir a "O Grande Gatsby" (The Great Gatsby, EUA, Austrália 2013), fui a contragosto. Não gosto e nunca gostei da atuação do DiCaprio - eu o acho um péssimo ator que sempre encarna o mesmo tipo em todos os personagens. Ele, por ser uma estrela de grande porte comercial, sempre pega excelentes roteiros. Nada contra o ator em si, mas mesmo tentando me despir de todo pré-julgamento artístico, lá fui eu... o que posso dizer do filme? Estonteante, luzes, luxo, riqueza, beleza plástica, lindos corpos e rostos, bom gosto, paladar, alegria, cores... é tudo isso. Aliás é só isso! Para mim, não passou de uma versão primo-pobre de Shakespeare no estilo dois mocinhos brigando pelo amor (e posse!) da mocinha com final trágico. A trilha sonora é bem interessante, para quem gosta de música dançante! O enredo é maçante, cansativo e previsível! Comercialmente é perfeito. Artisticamente é dispensável!

Feriado no meio da semana nos pede uma sessão de cinema, claro! E por sorte extasiante do destino, consegui comprar ingresso para "Antes da meia-noite" (Before midnight, EUA, Grécia 2013). Lembro profundamente do furor que os 2 filmes anteriores da trilogia (Antes do Amanhecer - 1994 e Antes do Pôr-do-Sol - 2004) causaram em mim e na forma como eu interpretava e sentia as coisas do coração e do ser. O roteiro retoma a história onde foi interrompida anos atrás pelo casal. O filme trata de momentos da vida real, sem pirotecnias e artifícios digitais tão comuns hoje em dia. Aprofunda nas discussões e dilemas de uma casal depois que passa tanto tempo juntos. Traz uma série de conversas e discussões altamente embasadas por pilares de cultura e filosofia. Consegue nos fazer rir e chorar ao mesmo tempo. Conseguimos rir de nossos medos espelhados nos protagonistas. Conseguimos nos irritar com nossos próprios erros interpretados na mágica tela do cinema. Filme para meditar, pensar, digerir... uma obra de arte única. Um dos raros casos em que o terceiro longa consegue superar os anteriores. Um mergulho intenso no mundo escondido de nossas particularidades mundanas e humanas. Palmas para o diretor Richard Linklater que filmou o longa em apenas 18 dias na Grécia. Louros para os protagonistas que ajudaram no roteiro e na direção. Voilà!