10 de maio de 2013

Até a eternidade

Um grupo de amigos decide manter as férias anuais na praia mesmo após um evento traumático com um de seus companheiros. A relação entre eles, suas convicções, senso de culpa e amizade são levados às últimas consequências após este episódio. Finalmente, eles são forçados a confessar as mentiras que têm contato uns aos outros e encará-las da maneira mais real possível.

Até a eternidade (Les petit mouchoirs, FRA 2012) inicia-se com um extraordinário plano-sequência de tirar o fôlego pelas ruas de Paris. Iluminação, cores e enquadramento estão perfeita sintonia... após o episódio inicial, o telespectador é guinchado às próximas cenas, tentando ao mesmo tempo compreender os motivos das reações de cada personagem diante do problema.

É inquestionável o talento dos protagonistas... cada um consegue passar seus temores, suas dúvidas, seus anseios e suas culpas apenas utilizando olhares, sorrisos, pequenos gestos e sutis movimentos. Aplausos extras para Marion Cotillard e François Cluzet (que a meu modo é a cara do ator americano Dustin Hoffman e até poderiam ser irmãos gêmeos em outro filme!). Ambos atores colecionam películas de sucesso. Ela com o emocionante "Edith Piaf" e ele com o arrebatador "Intocáveis". Também é notável a participação de Jean Durjadin, conhecido pelo filme vencedor do Oscar "O artista".

É raro hoje em dia um filme que nos comove, nos diverte, nos questiona, nos irrita, nos amedronta, nos surpreende e nos faz suspirar ao mesmo tempo que nos mantém com os pés na realidade. Isto é, baseia-se em fatos cotidianos sem nenhuma pirotecnia moderna. Sem nenhum excesso de tecnologia para construir o seu enredo. Prende a atenção porque fala das mazelas do ser humano. Suas esquisitices, seus medos mais escondidos, suas fragilidades e suas fortalezas.

É impressionante a quantidade de emoções que o filme nos faz sentir e reviver, trazendo à tona lembranças  de momentos passados e que até hoje tinham sido hermeticamente alojados em algum cantinho de nossa mente.

Palmas prolongadas para o diretor Guillaume Canet que conseguiu extrair o melhor de cada ator, dando vida e muita sinceridade em cada emoção representada. É uma obra para os apreciadores de filmes europeus. Permita-se... 



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Flávio