18 de maio de 2013

A caça

Engraçado como ao longo da vida vamos acumulando coisas, pensamentos, paradigmas e comportamentos que se tornam viciantes. É corriqueiro ouvirmos nas conversas do dia-a-dia afirmações como: "Criança não mente", "Ele é sem educação", "Todo homem trai" etc e por ai vai uma série infinita de frases que vamos repetindo automaticamente... muitas das vezes nem temos opinião formada sobre elas.

O filme "A Caça" (The Hunt, 2012 Dinamarca) mexe com os valores ético-morais agregados às crianças. Faz-nos pensar, repensar e rever inúmeros conceitos arraigados que temos a respeito das situações que a vida nos traz e que, por mais ingênuo que a pessoa seja, não fica imune a algumas artimanhas do destino. O diretor Thomas Vinterberg consegue nos chacoalhar e nos tirar do chão ao exibir os conflitos que vão sendo formados a cada nova cena.

No enredo, o excepcional ator Mads Mikkelsen vive Lucas, um pacato e honesto 'professor' que trabalha em uma creche. Ele é amado por todos e tem um temperamento easy going. Tudo vai bem até que, certo dia, a pequena Klara (Annika Wedderkopp - excelente atuação da atriz mirim! Se bem que, eu a escalaria para um filme de terror devido às expressões aterrorizantes que vêm de seu olhar...) de cinco anos, diz para a diretora da creche que Lucas lhe mostrou suas partes íntimas. Na realidade, a pequena Klara apenas quer, com esta afirmação, vingar-se de Lucas por se sentir rejeitada em uma paixão infantil que nutre por ele e por ter tentado beijá-lo na boca de forma ousada, confundindo carinho com uma doentia paixão platônica. Sendo filha do melhor amigo de Lucas, a pequena Klara desencadeia uma série de desentendimentos entre todos os moradores da pequena cidade. Lucas é rejeitado, perseguido e maltratado por todos. Até seu filho, afastado devido a um divórcio complicado, sofre com esta situação e reage de forma agressiva na tentativa de estar ao lado do pai.

Geralmente reagimos ao que vemos e ao que ouvimos sem realmente analisarmos as situações de forma mais profunda e consistente. A figura da criança pode ser equiparada aos nossos sentimentos mais selvagens e instintivos - por consequência difíceis de domar. O confronto moral é inevitável. Prepare-se para assistir a uma obra inquietante, questionadora e, ao mesmo tempo, visceral. Desfaça de seus critérios de julgamento e permita-se assistir sem julgar - ainda que não seja uma tarefa fácil.

Um comentário:

  1. Fiquei super a fim de ver . Obrigada pelas resenhas que sempre me ajudam na escolha de um bom filme.
    bjos

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Forte abraço,
Flávio