25 de fevereiro de 2013

Tem coragem de amar até o fim?

Penso que é inevitável não termos medo da velhice... este momento sombrio da vida onde não saberemos como estaremos, muito menos onde nem tampouco com quem! Também não podemos negar que os tempos atuais é cruel com a terceira idade, ou melhor, com a melhor idade - termo politicamente correto utilizado atualmente. Se estamos ao lado de quem amamos, certamente fica mais fácil cruzar esta ponte. Será mesmo?

A atuação do casal de velhinhos no filme faz qualquer um pensar, repensar, tripensar, polipensar... na vida, nos valores, nos medos, nas carências, nas amizades, na família... pensar! Que talento, que sutileza, que profundidade..! A sincronicidade na atuação de ambos nos leva crer que se trata de um documentário, não de uma encenação. Os magníficos atores vivem Georde (Jean-Louis Tingnan) e Anne (Emmanuelle Riva) que vivem aposentados num apartamento. Têm uma filha musicista que vive em outro país. Após um derrame sofrido em casa e ter por consequência um lado do corpo paralisado, Anne fica dependente dos cuidados do marido. Passam por delicados momentos que colocam à prova a força do amor de um pelo outro.

AMOUR (2012 FRA) é um filme corajoso em todos os sentidos... é sensível ao extremo, é intenso, é questionador, é frio sem ser cruel... a encenação da vida como ela é, sem cortinas!

As cenas brincam com nossa imaginação a todo instante. Provocam nossos medos, nossos desejos e acordam nossos transtornos mentais... sim, quem não os tem?!

Se for corajoso, assista!!!! Se sobreviver, me conte o que achou!!!!!


Um comentário:

  1. Eu às vezes me vejo pensando na velhice. Mas tento, pelo menos, não me preocupar com isso. Preocupar-me não vai alterar, nem meu passado, nem meu futuro. Prefiro viver agora (com responsabilidade, é claro) e deixar os sustos do futuro para depois. Talvez nem venham.

    Ocorrem-me a esse respeito três textos que, de alguma forma, lidam com a ansiedade do futuro.

    O primeiro, uma canção do Madredeus, "Amargura":

    "Amargura, descansada e triste
    -Parece lonjura ou medo?

    É quase certo,
    Que nada existe;

    Nada está perto,
    Nem eu estou triste"

    O segundo, um trecho do "Padrão", de Fernando Pessoa:

    "A alma é divina e a obra é imperfeita.
    Este padrão sinala ao vento e aos céus
    Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
    O por-fazer é só com Deus."

    O terceiro, do "The Rubaiyat" de Omar Khayyam:

    "Yesterday This Day's Madness did prepare;
    To-morrow's Silence, Triumph, or Despair:
    Drink! for you know not whence you came, nor why:
    Drink! for you know not why you go, nor where."

    É isso! Aprecio seus posts.

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Forte abraço,
Flávio