13 de julho de 2012

A força de aceitar-se falho



Lendo um conto de Graham Greene tive alguns questionamentos interessantes. No conto, um vilão sai livre e saltitante de seu julgamento, depois de conseguir que as provas que o incriminavam fossem consideradas insuficientes. No entanto, ao atravessar a rua, ele morre atropelado. Agonizando, em suas últimas palavras antes de fechar os olhos para sempre, ele agradece por ter sido a providência divina a condená-lo, não os votos do júri: "Odeio ser julgado pelos outros, prefiro que sejam as circunstâncias a me julgar".

Pensei comigo ao ler o mencionado conto... quantas pessoas, provavelmente por excesso de zelo vindo dos seus próprios pais, são acostumadas a sempre serem desculpadas de qualquer erro ou falta e mesmo assim recebem mais amor do que realmente merecem naquele momento. Estas pessoas crescem e têm uma tremenda dificuldade em aceitar que um estranho as coloque em seus devidos lugares. Sofrem profundamente quando os outros mostram seus erros e não sabem lidar com isso.

Aceitar um julgamento alheio a nosso respeito é algo grandioso e denota uma apurada sabedoria. Exige força! Não é para muitos, pois exige demasiada carga de maturidade. As pessoas de um modo geral gastam muito tempo apontando erros nos outros e nenhum segundo analisando seus próprios desajustes internos.


Meus pensamentos vão de encontro ao que Oscar Wilde certa vez escreveu: "As desventuras são insuportáveis porque vêm de fora, são meros acidentes. É no sofrimento causado pelas nossas próprias faltas que sentimos a ferroada da vida". 

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Flávio