19 de julho de 2012

Seja simples e ponto final

Hoje lembrei-me de uma máxima dita por Pascal que nos aconselhava a não sairmos do nosso quarto se quiséssemos ser felizes. Não é demais esta constatação? Ela nos faz pensar no conceito ser feliz.

Quando saímos de nosso universo particular, seja ele a nossa casa ou o nosso quarto, temos a oportunidade de assimilar aprendizados e prazeres que quase sempre vêm mesclados com desconfortos e incompreensões. Este é o mundo real! Não é fácil lidar com a dimensão e o pluralismo das pessoas, ainda mais no mundo atual onde todos querem estar conectados com aplicativos e tecnologias e estão desaprendendo a olhar nos olhos e a sorrir desinteressadamente. É fácil deixar alguém descontrolado hoje em dia: só tirar o seu celular de suas mãos por alguns minutos. Soa como se estivéssemos tirando o tubo de oxigênio que o alimenta.

Temos uma tendência, quase doentia, de criar obstáculos que nos complica quase tudo na vida. Penso que a solução única é trabalharmos em direção a descomplicar tudo e todos. As soluções mais simples são sempre as mais eficientes. Temos que aprender e exercitar o ato de não permitir que nossa mente dificulte o que é fácil - acredito que este pode ser um dos grandes segredos da felicidade duradoura. 

Um barulho de chuva no telhado ao adormecer tem o efeito bem diferente do que a compra de um iPad, por exemplo. Já parou para pensar nisso?

16 de julho de 2012

Para Roma com amor

Sábado a tarde, depois de uma semana exaustiva no mestrado e no trabalho, resolvi escolher um filme para relaxar. Como eu não queria correr risco de 'perder' meu tempo, fui de Woody Allen que amo e admiro profundamente seu trabalho. Excelente escolha: Para Roma com amor (To Rome with love, 2012) tem excelentes atuações de Alec Baldwin, Penelope Cruz e do próprio Woody Allen num papel hilário e com as melhores falas/piadas, obviamente. O longa é segmentado em 4 partes principais. Em uma delas, um casal americano (Woody Allen e Judy Davis) viaja para conhecer os pais do noivo de sua filha. Outra história fala de Leopoldo (Roberto Benigni), um simples cidadão que se torna famoso da noite para o dia ao ser confundido com uma celebridade. A terceira história fala de um arquiteto (Alec Baldwin) que está visitando a Itália com um grupo de amigos. E na última história temos dois jovens recém-casados que se perdem  um do outro por uma casualidade geográfica, levando-os a viver situações hilárias e altamente inesperadas.

Pude matar saudades do tempo que passei uma semana na cidade de Roma - que amo incondicionalmente - e ao mesmo tempo dar boas gargalhadas diante de um roteiro inteligente, bem escrito, bem dirigido e com atuações exemplares numa trilha sonora tipicamente italiana.

O diretor ainda usa de algumas fórmulas que funcionaram em seus filmes anteriores e que, a meu modo, se tornam quase obrigatória nesta sua sequência de filmes sobre metrópoles turísticas: imagens de pontos turísticos de tirar o fôlego e atores consagrados em papeis próximos do mundo real.

Woody Allen segue em frente em sua "turnê" cinematográfica, depois de "esquecer" sua amada Nova York. Antes desta película, ele rodou filmes em Londres (Ponto Final - Match Point (2005), Scoop - O Grande Furo (2006), O Sonho de Cassandra (2007) e Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos (2010) ), Barcelona (Vicky Cristina Barcelona (2008) e Paris (Meia Noite em Paris (2011). Todos são dignos e muito interessantes!

Não tenha dúvida ao escolher Woody Allen na sua versão italiana... é diversão garantida para aqueles que curtem filmes com diálogos filosoficamente engraçados!


13 de julho de 2012

A força de aceitar-se falho



Lendo um conto de Graham Greene tive alguns questionamentos interessantes. No conto, um vilão sai livre e saltitante de seu julgamento, depois de conseguir que as provas que o incriminavam fossem consideradas insuficientes. No entanto, ao atravessar a rua, ele morre atropelado. Agonizando, em suas últimas palavras antes de fechar os olhos para sempre, ele agradece por ter sido a providência divina a condená-lo, não os votos do júri: "Odeio ser julgado pelos outros, prefiro que sejam as circunstâncias a me julgar".

Pensei comigo ao ler o mencionado conto... quantas pessoas, provavelmente por excesso de zelo vindo dos seus próprios pais, são acostumadas a sempre serem desculpadas de qualquer erro ou falta e mesmo assim recebem mais amor do que realmente merecem naquele momento. Estas pessoas crescem e têm uma tremenda dificuldade em aceitar que um estranho as coloque em seus devidos lugares. Sofrem profundamente quando os outros mostram seus erros e não sabem lidar com isso.

Aceitar um julgamento alheio a nosso respeito é algo grandioso e denota uma apurada sabedoria. Exige força! Não é para muitos, pois exige demasiada carga de maturidade. As pessoas de um modo geral gastam muito tempo apontando erros nos outros e nenhum segundo analisando seus próprios desajustes internos.


Meus pensamentos vão de encontro ao que Oscar Wilde certa vez escreveu: "As desventuras são insuportáveis porque vêm de fora, são meros acidentes. É no sofrimento causado pelas nossas próprias faltas que sentimos a ferroada da vida".