4 de dezembro de 2011

E a necessária dança das máscaras



É como numa preparação para um espetáculo. Diariamente olhamos no espelho e escolhemos qual máscara usaremos. Sempre usamos algumas que são padrão: pai dedicado, filho exemplar, aluno excelente, chefe mandão, líder amigo, amigo honesto, namorado fiel, funciónário do mês etc...  algumas são usadas com tanta frequência que grudam em nosso rosto/ser a ponto de nos confundir profundamente, gerando uma crise de identidade. Facilmente pensamos que SOMOS o que na verdade ESTAMOS usando! O perigo é que a máscara pode grudar de tal forma que os dois rostos se fundem e não sabemos mais qual é o verdadeiro (se é que existe algum). Perdemos a nossa identidade no emaranhado de 'personalidades' que vamos usando ao longo da vida. Vamos seduzindo a tudo e a todos, como em um baile de máscaras, e no final, ao olharmos no espelho, descobrimos que enganamos a nós mesmos.


Muitas vezes ouvimos a expressão "dar a cara à tapa" - simbolizando a necessidade de sermos corajosos para enfrentar uma situação onde podemos ser julgados e expostos, mas em raríssimos momentos estamos realmente dando a cara para bater. Frequentemente estamos exibindo uma máscara para nos proteger, não para bater. Não necessariamente é ruim ou significa que não somos verdadeiros. Muito pelo contrário! Muitas vezes levamos anos construindo uma máscara que pode nos proteger de momentos de grande dor ou sofrimento. Não existe uma pessoa sequer neste planeta que não tenha desenvolvido suas próprias máscaras. Dezenas, centenas, milhares... quanto menos delas, mais corajosos nos tornamos, pois lidar com nossos fantasmas internos é uma atitude para bravos. E bravura é, sem dúvida alguma, algo raro hoje em dia. Não confunda bravura com violência!

Não é à toa que apreciamos tanto o teatro, os filmes e as novelas. Ali, apesar de temos a certeza que os personagens estão 'fingindo', sentimos prazer e nos projetamos no baile de máscaras apresentado em cada uma destas artes. É saudável, é necessário, é imprescindível... até certo ponto.

O maior perigo não é o USAR máscaras, mas sim o CAIR delas. Afinal de contas todo baile tem hora para começar e hora para terminar... o ideal é aproveitarmos enquanto a valsa ainda embala nossos devaneios, pois a carruagem sempre se transforma em abóbora quando o tempo expira.