31 de outubro de 2011

O palhaço em cada um de nós

Meus gêneros preferidos de filme sempre foram o drama e o suspense. Neste quesito sempre apreciei os trabalhos de Las Von Trier, Woody Allen, Alfred Hitchcok e por ai vai... são diretores que entendem da arte de questionar e expressar as dificuldades humanas e suas relações afetivas. Geralmente não assisto comédias porque elas mais me irritam do que me divertem. Tenho algumas exceções, claro, tais como: A sogra (Monster-in-Law, 2005), Alguém Tem que Ceder (Something's gotta give, 2003) e Simplesmente Complicado (It's complicated, 2009), pois são filmes cômicos recheados de inteligência. É muito mais difícil para um filme de comédia ser engraçado do que um drama ser pesado, isto é um fato inquestionável.

Voltando ao mundo da comédia... confesso que fui assistir ao filme "O PALHAÇO" (2011) de Selton Mello com muito receio, já imaginando que eu poderia arrepender-me até o último fio de cabelo, mas resolvi dar uma chance ao cinema nacional. Era o filme seguinte ao horário do meu almoço, resolvi apostar!

Aposta ganha! Um filme intenso e profundo que naturalmente tem a artimanha de nos fazer rir e chorar ao mesmo tempo - Senton Mello consegue proezas na direção e na atuação usando a simplicidade dos diálogos e a composição natural das cores da paisagem do centro-oeste.  Tudo isso regado às excelentes atuações de atores não conhecidos do público, mas com talento e veia cômica apuradíssimos. Excelentes participações especiais de alguns atores esquecidos da telinha.

Esta obra é um exemplo claro e típico de que o sucesso pode ser atingido com a simplicidade sem a pirotecnia que os filmes modernos usam para nos chamar a atenção. Parabéns ao Selton e ao Brasil que está tateando a merecida projeção cinematográfica sem a maçante apelação sexual dos clichês!

26 de outubro de 2011

Malhação interna

Outro dia, durante minha aula de Yôga percebi uma pequena cicatriz no meu corpo que eu nunca tinha notado nem sequer me lembrava de como ela tinha sido feita... aquela observação me levou a tantos outros pensamentos que passei o restante da aula viajando no tempo e no espaço. Sempre fui muito preocupado em evoluir de dentro para fora. Talvez por isso que ao conhecer o Yôga eu tenha me identificado tanto.

Costumamos não conhecer nosso próprio corpo físico - lido com este desafio diariamente em cada ásana no Yôga que tenho que avançar, avançar e avançar quando o corpo, na verdade, já está no limite físico - e por vício e comodismo sempre colocamos nossa atenção apenas no mundo externo. É sempre mais fácil perceber os erros/defeitos nos outros do que em nós mesmos! A velha mania de apontar os dedos.

Geralmente é notório quando uma pessoa não se aceita fisica ou psicologicamente. Ela é azeda, amarga, pessimista e agressiva. Estas pessoas, negativas, estão sempre cercadas de problemas, dramas e incidentes. São reações geradas pela incapacidade de se "conhecer". Temos que ser fortes para encarar nossos próprios defeitos, pois só assim poderemos dizimá-los e/ou reduzí-los de tal forma que sejam imperceptíveis! Cultivar o bem e reduzir o mal. Iluminar de dentro para fora para que nossos 'quartinhos' escuros percam a força! Fácil não é, mas os resultados são extasiantes.

Autoconhecimento é necessário de forma infinita em nossas vidas. Acho uma discrepância a sociedade moderna que incentiva e valoriza o silicone, os corpos esculturais, os dentes artificiais, as pílulas sexuais etc mas mascaram a realidade interna. Acho necessário e altamente recomendado que as pessoas se cuidem e sejam vaidosas. Mas a vaidade isolada do autoconhecimento é algo totalmente pernicioso!

A cada quilo levantado nas academias deveríamos criar novas sinapses cerebrais lendo um bom livro, aprendendo um novo idioma, praticando uma meditação etc.

O que futuramente pode acontecer é que teremos corpos perfeitos carregando mentes desequilibradas!

2 de outubro de 2011

A árvore da Vida

É interessante como o diretor Terence Malick consegue nos extasiar já nos primeiros instantes que sua obra "A árvore da vida" (The tree of life, EUA, 2011) abre a tela. Tudo parece desconexo - para quem está acostumado a assistir filmes com narrativas lineares. Tira-nos o conforto do óbvio.

O enredo gira em torno de uma família texana na década de 50. Brad Pitt faz um pai durão e exigente, casado com uma linda e carinhosa dona de casa interpretada pela atriz Jessica Chastain. O nascimento dos 3 filhos homens dá o desfecho dramático ao exibir as etapas de sua educação e desenvolvimento.

A filme vai e volta no tempo, constantemente, fazendo com que o telespectador desatento se perca facilmente e sinta-se frustrado no entendimento da história. As imagens da natureza exemplificadas na figura de dinossauros, estranhos seres marítimos, universo e suas luzes, explosões vulcânicas e solares, é de tirar o fôlego e deixar qualquer um relaxado e pensativo na poltrona do cinema.

É um filme para "meninos" sobre meninos... é impossível assistir às cenas e não se identificar com o universo no qual elas foram retratadas. Algo mágico, reminiscente e altamente nostálgico vem à tona. Uma drama bem escrito, equilibrado e bem dirigido onde excelentes cenas geradas ao acaso - principalmente com os bebês - tão um tom de realidade absurda.

É uma obra para ser sentida, admirada e não para ser explicada ou racionalizada!