20 de julho de 2011

Dê-me sua mão...

Uma questão comportamental permeia as mentes humanas por séculos... o que faz um relacionamento durar e/ou definhar? Algumas pessoas acreditam que é a cumplicidade, o carinho, a fidelidade, enquanto outras pensam que é a vontade de estar juntos é que faz a duração acontecer. Para muitos, ter um relacionamento é equivalente a abdicar de suas próprias vontades. É quase sinônimo de anular-se.

Um querido amigo diz que para um relacionamento durar temos que querer, temos que abrir mão de nossas vontades individuais e nos embrenhar nas descobertas árduas da vida a dois. Ele tem uma frase engraçada que eu também compartilho: “amor por si só não é garantia de felicidade”. Mas então o que nos garante a felicidade? Podemos nos anular e ainda assim sermos felizes?

Penso que, antes de qualquer questionamento neste sentido, temos que mapear o conceito de felicidade. Para mim, ele não passa de algo individual e personalizado. Não podemos ser felizes se dependemos do outro. Temos que ser feliz COM ou SEM estar ao lado de alguém. Felicidade é um estado imaginário. É um estado intrínseco, não uma condição – penso eu.

Outro conhecido meu usou uma analogia intrigante. Ele trabalha com a sensibilidade, é fotógrafo, e está vivendo um dilema interessante. Ele acredita que para um relacionamento acontecer, deve existir um ‘querer’ de ambos os lados. Como uma mão aberta à espera da outra... o enlace não pode ser feito apenas por uma mão sozinha, ela sempre precisa do complemento da outra para que a união seja completa e complementada. Chega a ser romântica esta visão, mas é bem coerente! Soa como parceria, um auxiliar o outro. Quando eu o ouvi dizer isso, lembrei-me da primeira vez que fui à Roma e pude ver com meus próprios olhos a magnífica pintura de Michelangelo “A criação de Adão” no teto da Capela Sistina. Esta imagem me impressionou tanto que hoje mantenho uma reprodução dela na parede da minha sala. Impossível não vê-la diariamente.

O mundo atual nos faz cada vez mais distantes das pessoas e mais próximos das máquinas e dos computadores. Já presenciei inúmeras vezes, pessoas que são exímias na comunicação virtual, mas quando as encontramos pessoalmente são falhas e produzem mais ruídos do que realmente transmitem uma mensagem eficiente. Estamos desenvolvendo mecanismos elaborados no mundo virtual, mas proporcionalmente estamos atrofiando nossa capacidade de entender, sentir e compreender o outro em carne, osso e alma.

Acho interessante ouvir várias pessoas reclamarem, direta ou indiretamente, que ninguém quer nada sério, que o mundo está maluco, que as pessoas não querem namorar etc... mas no fundo estas afirmações não passam de desculpas para não terem que assumir a sua própria covardia diante de um relacionamento REAL. Relacionamento é algo para corajosos. Todo o resto, não passa de desculpas pseudo-elaboradas. Felicidade a dois é uma escolha para os bravos.

10 de julho de 2011

Meia noite em Paris

Gosto de assistir a um filme e sair do cinema com a sensação de que fui tirado do 'conforto' mental. Acredito que um dos principais papeis de um bom diretor é o de TRANSCENDER o pensamento medíocre e o senso comum. E isso, o meu preferido diretor Woody Allen conseguiu muito bem com o longa "Meia noite em Paris" (Midnight in Paris, 2011).

Já na primeira cena percebemos a admiração do cineasta pela exuberante Paris.  Somado às ótimas atuações de Owen Wilson e Marion Cotillard, temos então um estupendo momento de beleza cênica e diálogos que parecem ter saído de uma conversa entre Freud e Nietzsche no boteco da esquina - sem aquele caráter profissional. Um filme repleto de referências interessantes e piadas dignas de quem aprecia grandes artistas como Bruñel, Hemingway, Picasso, Dalí etc.

Interessantes o questionamento levantado pelo roteiro de que sempre queremos, e glorificamos, a época anterior do que a presente. Quase sempre estamos nostalgicamente idolatrando o nosso passado e, com isso, mal vivemos o presente e o que ele pode nos oferecer.

Para muitos, deve ter sido um filme comum que elogia exageradamente a cidade de Paris... mas para mim, foi um obra que me fez pensar na importância de viver os momentos diários. A cena final, perfeita, foi capaz de amarrar todos os questionamentos levantados no filme e nos dar a sensação de que sempre há uma luz no final do túnel.

Para o amor não existe meio termo!!!