20 de fevereiro de 2011

Gran Torino e Ivan Illich

Terminei de reler um dos melhores livros que eu considero: A Morte de Ivan Illich (1886). Em suas páginas o autor, Leon Tolstoi, descreve a história curta e dilacerante da vida de Ivan Illich - um prepotente e arrogante juiz que adoece aos 45 anos de uma grave enfermidade e começa um calvário de sofrimento. Descobre que não tem amigos, nem o apoio da família, muito menos do médico. Uma das cenas mais simbólicas é aquela em que ele consulta um famoso doutor que o trata da mesma forma grosseira e impaciente que ele tratava as pessoas no tribunal.

Hoje assistindo a GRAN TORINO (EUA, 2008) dirigido e protagonizado por Clint Eastwood, não pude deixar de fazer esta comparação.

Ambas as obras são dignas de admiração, não só pelo seu talento artístico e dramático, mas por nos tirar da zona de conforto tentadora que nos faz acreditar que somos melhores, diferentes e que nada disso acontecerá com a gente. Trata da velhice como ela é, sem máscaras - que por si só já é dura! Mostra que a diferença não está na idade que temos e sim na forma como tratamos as pessoas!

10 de fevereiro de 2011

Cisne Negro

Foi com muita ansiedade que sentei na poltrona confortável do cinema para mergulhar no mundo de Cisne Negro (Black Swan, 2010 EUA). O talento do elenco (Natalie Portman, Mila Kunis, Winona Ryder e Vincent Cassel) é inquestionável! Impactante a direção de Darren Aronofsky que mostra mas uma vez toda a sua genialidade ao dirigir este thriller psicológico!

Natalie dá vida a uma moça bela, pura e ingênua, que vive para o balé e para ser perfeita em seus gestos, atos e em seus movimentos milimetricamente ensaiados... vive à sombra da mãe - uma bailarina frustrada que transfere para filha toda a vontade de atingir o ponto máximo da carreira na dança clássica: interpretar o clássico Cisne Negro.

A dualidade (bem x mal) é um tema já exaurido em muitas obras cinematográficas, assim como na literatura e na dramaturgia, mas da forma como nos é apresentada na película, soa como nova. Podemos comparar o dilema da personagem ao mesmo vivido por Smigol em O Senhor dos Aneis: as vozes contraditórias. O tema é recorrente, mas a narrativa é envolvente e assustadoramente magnética. Digna de admiração!

Não se pode viver uma vida de extremismos quando se quer atingir o topo. Nina, vivida por Natalie, tem que aprender a despertar o seu lado negro para assim trasnferi-lo para o palco. Ela já vive uma vida regrada e direcionada ao mundo equilibrado. O desafio maior é encontrar em si mesma o lado obscuro, negro e pulsante em sua alma. Para despertar o cisne negro dentro de si, já que tanto no filme quanto na coreografia original a bailarina faz os dois papeis, ela mergulha com muita dor em deus devaneios esquizofrênicos. Não só imagina como começa a sentir e a alimentar a mesma raiva que o personagem necessita para exercer a sua máxima força - no caso, o cisne negro.

Pulsante, arrepiante, mágico, intenso, forte, questionador, arrebatador... olhando com a brancura ou com a escuridão, esta é uma obra digna da briga pelo prêmio mais comercial de todos os tempos: Oscar!