8 de janeiro de 2011

2010: o ano que paramos de conversar

Quando me pego colocando a chave na porta de casa e ao mesmo tempo checando as mensagens no celular, fico muito maluco. Onde chegamos?!

Recentemente passei quase 2 semanas nos Estados Unidos e pude comprovar na prática um dado apontado pelas pesquisas atuais: os americanos estão conectados em 93% do tempo através de celulares e redes sem fio. Os bene(male)fícios são inúmeros e inquestionáveis - depende da corrente que argumenta. Este não será o meu intuito. O que mais me assustou no comportamento americano - e que está próximo de atingirmos o mesmo nível - foi ver uma família (pai, mãe, filha e filho) na fila para um brinquedo da Disney, e todos usando o celular para digitar ou conectar-se a outro mundo que não fosse o ali presente. O sonho de tantas pessoas, estar na Disney com a família, para este pequeno grupo de pessoas não significa muita coisa. O imprescindível, para eles, é estar preso a um aparelho o tempo todo. Estar conectado a um mundo diferente do qual ele está fisicamente inserido. Seria como viver uma realidade paralela, numa dimensão cibernética. Uma válvula de escape, talvez, pela incapacidade de construir uma relação prazerosa, sadia e produtiva com o próximo.

Estamos perdendo a capacidade de sorrir, olhar nos olhos, tocar fisicamente nossos amigos, parentes, familiares e pessoas queridas. Não escrevemos mais cartão de Natal, não mandamos mais cartas, nem sequer deixamos bilhetinhos românticos de "bom dia". Agora tudo se resume em torpedo sms, scrap, depoimentos... até e-mail está ficando fora de uso.

Estamos cada dia mais esperando e buscando MAIS da tecnologia e MENOS um do outro. Amargo e cruel dilema.

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Flávio