1 de novembro de 2010

Comer, Rezar e Amar


Quem nunca pensou em pegar uma mochila, somente com o necessário, e sumir do mapa deixando tudo para trás? Quem nunca pensou em recomeçar num mundo distante do seu? Quem nunca quis dar fim ao sofrimento pessoal viajando para um terra desconhecida? Quem nunca se arrependeu de ter adquirido um relacionamento 'fast food'?!
Neste quesito, COMER, REZAR E AMAR (Eat Pray Love, EUA 2010) atinge em cheio as expectativas humanas, tanto as femininas quanto as masculinas - mesmo o filme ter sido baseado num best seller homônimo escrito por uma mulher com uma visão espiritualizada da vida. O longa não trata da visão macho ou da visão fêmea, pelo contrário, descreve as diretrizes metafísicas do ser humano diante de uma vida insossa, desprazerosa e vazia. Uma vida onde a encruzilhada exige uma tomada de atitude ou tudo irá ruir intensamente.

Acredito que muitas vezes, durante nossa vida, perdemos nossos valores em prol do medo de sofrer. Escolhemos ser infelizes porque estamos em busca da felicidade a dois a qualquer preço. Descobrimos depois de anos que a felicidade, além de ser um estado de espírito, pode estar conosco o tempo todo, nem sempre precisamos ir a outro continente para atingi-la. A viagem necessária é de fora para dentro - aquela viagem corajosa, cara e desbravadora. O mundo fast food não contribue em nada nesta jornada. Estamos na era high speed... não há tempo nem espaço para pessoas dial connection.

Posso afirmar que o longa não deixa nada a desejar comparado ao livro. Por serem mídias distintas, não podem ser equiparadas, seria injustiça da minha parte querer fazê-la, mas indubitavelmente são complementáveis! A ordem de acesso, certamente, deve ser livro x filme.

Tenho amigos, queridos por sinal, que estão na fase COMER... pagam o preço desta atitude. Alguns estão buscando a fase REZAR... mas a maioria quer AMAR, mas não abandonam os vínculos, vícios e os comportamentos obssessivos que não combinam com amor. Para eles, acredito que só o tempo dará a resposta - se estiverem preparados para obtê-la, claro.

Uma lição é única: qualquer pessoa que passa em nossa vida, é um MESTRE. Com ela aprendemos a ser, não ser, sentir, não sentir, amar, odiar, querer, desejar, desprender... o tão falado "aprender com a dor".

A viagem mais difícil da minha vida, foi quando decidi encarar minhas sombras, meus medos, minhas falhas, meus demônios... confesso que até hoje eles me assustam, mas agora sei que eles existem. Prefiro ter medo de algo que tenho absoluta certeza que existe do que viver no sofrimento eminente de algo que talvez exista somente em minha imaginação.

Bom... se viajei demais - com o perdão do trocadilho - vá assistir ao filme e tudo que mencionei aqui terá um sentido. Eu te garanto!

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Flávio