21 de novembro de 2010

Zorba, o grego


Quantas pessoas você conhece que vivem a alegria da vida sem perder tempo em reclamar ou praguejar?! Quantas pessoas você tem por perto que são capazes de te mostrar o lado magnífico da vida nas coisas simples?!

O inesquecível filme ZORBA, O GREGO (ZORBA, THE GREEK)  de Michael Cacoyannis estrelado por Anthonny Quinn, gravado em 1964 no Reino Unido, Grécia e Estados Unidos, leva-nos a um banho de paisagens exuberantes, sentimentos escondidos que evitamos e inúmeros questionamentos sobre o verdadeiro valor da vida e das relações pessoais.

Zorba (Quinn) é um camponês extrovertido e exuberante com  incrível amor pela vida, enquanto Basil (Alan Bates) é um tímido e reservado escritor inglês. A amizade incomum destes dois é capaz de trasnformar a vida de Basil, tirando-o do conforto de observador do mundo para participante da vida e seus acontecimentos. A cena onde Zorba ensina Basil dançar é um exemplo claro do poder transformador do carinho e da amizade criada entre ambos: http://www.youtube.com/watch?v=2AzpHvLWFUM

Um filme cruel por mostrar o lado vil do ser humano. Um filme doce e amável por mostrar que o amor está nas coisas simples, nos olhares, nos gestos, nas palavras e nas intenções. Um filme intenso por mostrar que os valores e as crenças de um povo quase sempre são cegos a ponto de anular a vitalidade de seus habitantes.

Um filme para se ver, pensar, questionar, sentir, vivenciar e assimilar o sentido da vida, mesmo quando ela nos coloca diante de situações e momentos difíceis. Aplausos para uma obra feita no ano de 1964, mas questionadora de nossos dilemas recorrentes modernos.

1 de novembro de 2010

Comer, Rezar e Amar


Quem nunca pensou em pegar uma mochila, somente com o necessário, e sumir do mapa deixando tudo para trás? Quem nunca pensou em recomeçar num mundo distante do seu? Quem nunca quis dar fim ao sofrimento pessoal viajando para um terra desconhecida? Quem nunca se arrependeu de ter adquirido um relacionamento 'fast food'?!
Neste quesito, COMER, REZAR E AMAR (Eat Pray Love, EUA 2010) atinge em cheio as expectativas humanas, tanto as femininas quanto as masculinas - mesmo o filme ter sido baseado num best seller homônimo escrito por uma mulher com uma visão espiritualizada da vida. O longa não trata da visão macho ou da visão fêmea, pelo contrário, descreve as diretrizes metafísicas do ser humano diante de uma vida insossa, desprazerosa e vazia. Uma vida onde a encruzilhada exige uma tomada de atitude ou tudo irá ruir intensamente.

Acredito que muitas vezes, durante nossa vida, perdemos nossos valores em prol do medo de sofrer. Escolhemos ser infelizes porque estamos em busca da felicidade a dois a qualquer preço. Descobrimos depois de anos que a felicidade, além de ser um estado de espírito, pode estar conosco o tempo todo, nem sempre precisamos ir a outro continente para atingi-la. A viagem necessária é de fora para dentro - aquela viagem corajosa, cara e desbravadora. O mundo fast food não contribue em nada nesta jornada. Estamos na era high speed... não há tempo nem espaço para pessoas dial connection.

Posso afirmar que o longa não deixa nada a desejar comparado ao livro. Por serem mídias distintas, não podem ser equiparadas, seria injustiça da minha parte querer fazê-la, mas indubitavelmente são complementáveis! A ordem de acesso, certamente, deve ser livro x filme.

Tenho amigos, queridos por sinal, que estão na fase COMER... pagam o preço desta atitude. Alguns estão buscando a fase REZAR... mas a maioria quer AMAR, mas não abandonam os vínculos, vícios e os comportamentos obssessivos que não combinam com amor. Para eles, acredito que só o tempo dará a resposta - se estiverem preparados para obtê-la, claro.

Uma lição é única: qualquer pessoa que passa em nossa vida, é um MESTRE. Com ela aprendemos a ser, não ser, sentir, não sentir, amar, odiar, querer, desejar, desprender... o tão falado "aprender com a dor".

A viagem mais difícil da minha vida, foi quando decidi encarar minhas sombras, meus medos, minhas falhas, meus demônios... confesso que até hoje eles me assustam, mas agora sei que eles existem. Prefiro ter medo de algo que tenho absoluta certeza que existe do que viver no sofrimento eminente de algo que talvez exista somente em minha imaginação.

Bom... se viajei demais - com o perdão do trocadilho - vá assistir ao filme e tudo que mencionei aqui terá um sentido. Eu te garanto!