19 de setembro de 2010

A onda



Um filme com roteiro inteligente é algo delicioso de ser ver. Quando a isso soma-se excelente fotografia, atuações convincentes e diálogos concisos... inquestionável que fará sucesso. Digo sucesso no sentido artístico, pois nao necessariamente será o filme que fará filas e filas nas portas do cinema. Um filme considerado de arte nem sempre será aquele que ficará exposto em cartaz por muito tempo. Sua vida comercial é curta, mas dura eternamente. Posso exemplificar alguns: Dogville, Edukators, Old boy e por ai vai.

A onda (2008), na excelente direção de Denis Gansel, mexe com a nossa revolta pelo massacre na Alemanha de Hitler. Sacode nossos valores e alerta-nos para a responsabilidade que um educador tem nas mãos. Não acredito que apenas os professores sejam responsáveis por moldar o comportamento de nossos jovens, mas certamente eles são os grandes contribuintes. O filme trabalha a perspectiva educacional com temas políticos, fiolosóficos e ideológicas.

Nada exemplifica melhor a essência do filme do que o discurso final, proferido pelo professor Ross:


"Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.

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Flávio