22 de setembro de 2010

O Brasil dos espíritos


A oferta de filmes esotéricos está grande, logo a procura está maior ainda. Este silogismo me fez pensar nas verdadeiras razões - pelo menos pesquisar sobre elas - que faz um ser humano buscar "crer" no lado oculto da vida. Em todas as expressões religiosas, ou em suas maiorias, a crença na vida após a morte é praticamente inquestionável.

O cristianismo defende a tese que as almas vão para o Céu, o reino de Deus, ou para o Inferno, o reino de Satanás. O Islamismo diz que Maomé recebeu o livro sagrado, o Corão, diretamente de Alá (Deus) e seus seguidores transcreveram as visões para o árabe. O Budismo adota o conceito que o ciclo de morte e reencarnação só acaba quando o indivíduo aprende a livrar-se dos desejos. Já o Espiritismo prega que as pessoas ascendem para um plano superior onde a existência é apenas espiritual, dependendo das qualidades cultivadas em vida.

Não posso deixar de mencionar que acreditar em espíritos e/ou vida após a morte era um costume dos índios que pensavam que os mortos permaneciam convivendo com os habitantes da tribo por um tempo determinado. Somado a isso temos os escravos trazidos da África que acreditavam ter contato direto com o mundo dos mortos, e suas crenças foram espalhadas por todos as classes sociais.

Acho isso tudo um tanto curioso... e nada me tira a vontade incontrolável de cruzar religião com ciência, antropologia, biologia etc. O que todos abominam, discutir assuntos tão pessoais, é o que mais me instiga.

O bate-papo com quem já partiu deste mundo é uma das bases principais do espiritismo desde o seu surgimento na França no século XIX, mas só frutificou no Brasil. O espiritismo foi codificado em 1857 pelo pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, vulgo Allan Kardec. Em seu país natal ele é considerado um pensador de pouca importância por não ter contribuído em nada com a história da filosofia. Os franceses confundem o espiritismo com bruxaria. Por não ser concorrente do catolicismo, o espiritismo atrai muios praticantes católicos no Brasil, aumentando assim a sua divulgação, pois têm poucos dogmas e quase nenhuma hierarquia.

Esta crença de vida posterior, em grande parte, é baseada em visões e experiências de pessoas que, após serem declaradas mortas, se recuperaram - espontaneamente ou por cuidados médicos. Relatam visões e sensações que a medicina define como sendo experiência de quase morte. Alguns afirmam até ver uma luz no final de um túnel. O mais interessante ainda é perceber - comprovadamente - que a tecnologia moderna é capaz de captar imagens cerebrais destes momentos e concluir que, durante o coma, pouco antes da morte, ocorre uma descarga elétrica cerebral muito forte, favorecendo estas sensações/visões. Estes impulsos, segundo alguns cientistas da Universidade George Washington nos EUA, são capazes de gerar um nível parcial de consciência que induz as pessoas a ter visões e alucinações.

E você, prefere acreditar/duvidar do que?

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