27 de setembro de 2010

Carroça Humana



Na nossa correria cotidiana acabamos nos irritando por qualquer coisa, até por quem está catando lixo para sobreviver. Em Sampa é extremamente comum vermos o "homem-formiga" - também conhecido como carroceiro - cortando caminho, vagarosamente, entre carros, motos e pedestres. Entre gás carbônico, detritos e esgoto, ele está sempre carregando suas tralhas - geralmente pilhas de papéis, plásticos, pneus, vidro, grades, móveis e todo tipo de quinquilharia que NÓS usamos e descartamos. Com a ajuda deste zé-ninguém, mais de 9 bilhões de latinha são levadas para reciclagem.

Uma amarga ironia, pois o lixo que descartamos acaba se voltando contra nós e/ou contra nosso egoísmo cotidiano. Não é ele que vai devagar, somos nós que estamos apressados demais. Concordo, ele realmente atrapalha a correria dos paulistanos estressados por natureza, mas custa termos um pouco mais de paciência e respeito por quem está sobrevivendo com os restos que nós abandonamos?!

Ele, além de tudo, não está poluindo nossos ares nem tampouco está emitindo gases tóxicos que nos adoece cada dia mais.

Ele não existe em lugar nenhum, não tem PIS, nem endereço fixo, nem sequer registro bancário... ele vive SEM cd, dvd, celular, TV de led, cinema, roupa, iPod, computador etc... e você ainda se irrita quando ele, por necessidade, atravessa seu caminho?

Que mundo você, realmente, vive?!

22 de setembro de 2010

O Brasil dos espíritos


A oferta de filmes esotéricos está grande, logo a procura está maior ainda. Este silogismo me fez pensar nas verdadeiras razões - pelo menos pesquisar sobre elas - que faz um ser humano buscar "crer" no lado oculto da vida. Em todas as expressões religiosas, ou em suas maiorias, a crença na vida após a morte é praticamente inquestionável.

O cristianismo defende a tese que as almas vão para o Céu, o reino de Deus, ou para o Inferno, o reino de Satanás. O Islamismo diz que Maomé recebeu o livro sagrado, o Corão, diretamente de Alá (Deus) e seus seguidores transcreveram as visões para o árabe. O Budismo adota o conceito que o ciclo de morte e reencarnação só acaba quando o indivíduo aprende a livrar-se dos desejos. Já o Espiritismo prega que as pessoas ascendem para um plano superior onde a existência é apenas espiritual, dependendo das qualidades cultivadas em vida.

Não posso deixar de mencionar que acreditar em espíritos e/ou vida após a morte era um costume dos índios que pensavam que os mortos permaneciam convivendo com os habitantes da tribo por um tempo determinado. Somado a isso temos os escravos trazidos da África que acreditavam ter contato direto com o mundo dos mortos, e suas crenças foram espalhadas por todos as classes sociais.

Acho isso tudo um tanto curioso... e nada me tira a vontade incontrolável de cruzar religião com ciência, antropologia, biologia etc. O que todos abominam, discutir assuntos tão pessoais, é o que mais me instiga.

O bate-papo com quem já partiu deste mundo é uma das bases principais do espiritismo desde o seu surgimento na França no século XIX, mas só frutificou no Brasil. O espiritismo foi codificado em 1857 pelo pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, vulgo Allan Kardec. Em seu país natal ele é considerado um pensador de pouca importância por não ter contribuído em nada com a história da filosofia. Os franceses confundem o espiritismo com bruxaria. Por não ser concorrente do catolicismo, o espiritismo atrai muios praticantes católicos no Brasil, aumentando assim a sua divulgação, pois têm poucos dogmas e quase nenhuma hierarquia.

Esta crença de vida posterior, em grande parte, é baseada em visões e experiências de pessoas que, após serem declaradas mortas, se recuperaram - espontaneamente ou por cuidados médicos. Relatam visões e sensações que a medicina define como sendo experiência de quase morte. Alguns afirmam até ver uma luz no final de um túnel. O mais interessante ainda é perceber - comprovadamente - que a tecnologia moderna é capaz de captar imagens cerebrais destes momentos e concluir que, durante o coma, pouco antes da morte, ocorre uma descarga elétrica cerebral muito forte, favorecendo estas sensações/visões. Estes impulsos, segundo alguns cientistas da Universidade George Washington nos EUA, são capazes de gerar um nível parcial de consciência que induz as pessoas a ter visões e alucinações.

E você, prefere acreditar/duvidar do que?

19 de setembro de 2010

A onda



Um filme com roteiro inteligente é algo delicioso de ser ver. Quando a isso soma-se excelente fotografia, atuações convincentes e diálogos concisos... inquestionável que fará sucesso. Digo sucesso no sentido artístico, pois nao necessariamente será o filme que fará filas e filas nas portas do cinema. Um filme considerado de arte nem sempre será aquele que ficará exposto em cartaz por muito tempo. Sua vida comercial é curta, mas dura eternamente. Posso exemplificar alguns: Dogville, Edukators, Old boy e por ai vai.

A onda (2008), na excelente direção de Denis Gansel, mexe com a nossa revolta pelo massacre na Alemanha de Hitler. Sacode nossos valores e alerta-nos para a responsabilidade que um educador tem nas mãos. Não acredito que apenas os professores sejam responsáveis por moldar o comportamento de nossos jovens, mas certamente eles são os grandes contribuintes. O filme trabalha a perspectiva educacional com temas políticos, fiolosóficos e ideológicas.

Nada exemplifica melhor a essência do filme do que o discurso final, proferido pelo professor Ross:


"Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’. Nossa experiência foi um sucesso. Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.

Chico, Lar e outras viagens


A onda agora é filme espírita. Não apenas filmes de fantasmas, mas filmes de pessoas que afirmam se comunicar com os mortos. Assisti a Chico Xavier e a Nosso Lar, ambos defendem a mesma teoria: mortos podem comunicar com os vivos através de humanos com habilidades especiais, isto é, os chamados médiuns. Por serem obras nacionais - ainda que tenha investimento e patrocínio estrangeiro - merecem o nosso apoio. Penso que é melhor termos filmes com ideologias religiosas do que a pornografia existente no nosso passado cinematográfico.

Penso que as pessoas sabem como enganarem as outras, sabem como interpretar o papel de quem engana (mágico, mago, ator etc) e muitas pessoas têm uma necessidade mórbida de serem enganadas. Um mágico nunca trabalha sozinho, ele precisa de plateia. Esta interação é que faz com que outras pessoas sejam "convencidas" ao que até então jamais foi comprovado pela ciência.

Acho interessante observar que os chamados espíritos só se comunicam quando querem e com algumas pessoas, como se fosse por meritocracia. Livros são editados, cartas são piscografadas, mensagens são passadas, mas os problemas terrenos continuam sem nenhuma alteração. Quem já perdeu um ente querido sabe a grande dor que instala em nosso peito. Quando estamos assim, fragilizados, qualquer pessoa que se aproxima e nos apresenta uma receita para amenizar o sofrimento, terá nossa atenção. No fundo estamos tentando adquirir poderes especiais para controlar a nossa vida amorosa, afetiva, financeira e pessoal. O espiritismo oferece essa possibilidade quando apresenta os seus 'poderes' paranormais.

O ônus da prova não é de quem duvida e sim de quem apresenta uma situação como verdadeira. Portanto... não acredito em nada, até que me provem o contrário. E para aqueles que insistem e querem pensar cientificamente e ter uma mente mais distante das lorotas que nos são contadas, sugiro pesquisar e ler as obras de James Randi... a partir dele, podemos ter uma discussão no mínino interessante!