16 de agosto de 2010

A origem


O filme A ORIGEM (Inception, 2010) de Christopher Nolan inova de forma previsível, mas ao mesmo tempo emocionante. Previsível porque todos os efeitos tecnológicos - um deles o exaustivo slow motion com câmera especial - já foram apresentados em muitos longas, e até mesmo na Copa 2010. Em uma coisa o filme inova e sai na frente de todos os concorrentes atuais: roteiro.

Protagonistas famosos, hoje em dia, é quase um pré-requisito para lançar um blockbuster e/ou um thriller, mas a direção de Nolan consegue dar um toque onírico - com o perdão do trocadilho - ao filme que fala de sonhos. Don Cobb (Di Caprio) é um especialista em invadir a mente das pessoas. Com isso, rouba segredos do subconscientequando a mente está mais vulnerável - durante o sono.

O filme questiona a sensação de realidade versus sonho na qual vivemos. Quem garante que o que vivemos não passa de um sonho?! O que torna uma dimensão 'verdadeira' e o que a torna um 'sonho'? O que as diferencia é a forma que a sentimos e/ou reagimos ou ela por si se faz?!

Levanta um debate interessante ao mostrar a dificuldade do mocinho, o exaustivo DiCaprio, de desapegar das lembranças de sua esposa que cometeu suicídio. Diz, indiretamente, que muito de nosso sofrimento acontece porque não somos capazes de seguir em frente quando temos situações mal resolvidas na vida. Nisso eu assino embaixo. Ponto para Nolan!

A película incomoda ao desafiar a inteligência do telespectador. Ela funciona da mesma forma que um sonho... traz fragmentos, realidades personalizadas, cenários recriados e amórficos... traços simétricos dão vida às cenas tiradas de um quadro de Dali. Os diálogos são confusos, e o próprio roteirista brinca com isso na fala de um de seus personagens principais - a queridinha americana Ellen Page. O poder de sedução de Marion Cotillard - a inesquecível Edith Piaf - é inquestionável. Está linda, sagaz, segura e equilibrada, no papel de Mal. DiCaprio faz o de sempre: galã com as cenas dramáticas e falas inteligentes.

Um filme para refletir, não para divertir. Aliás, alguns consideram a reflexão um divertimento. De qualquer forma, seja refletindo ou divertindo, é um filme que merece uma atenção especial. Gostei!

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Flávio