9 de agosto de 2010

O molde humano

 
Outro dia estive pensando na maior dificuldade de todos os casais: aceitar as diferenças existentes no outro. Sempre tem-se a tendência em mudar e moldar o outro à nossa imagem e semelhança. Este comportamento é quase um senso comum nas relações afetivas. É uma amarga ironia, pois quando tentamos mudar o outro estamos admitindo a nossa impotência em mudar a nós mesmos. É mais cômodo culpar o outro do que trabalhar a nossa incapacidade em aceitar as diferenças - ou a nossa diferença interior.

No mundo moderno, os relacionamentos são escassamente definitivos e as separações ficaram tão cotidianas e frequentes que ninguém mais assusta quando um casal deixa de viver no mesmo teto depois de apenas seis meses de casamento. Penso que o real motivo das separações seja a INcapacidade de evoluir do homem contemporâneo. O mundo descartável impera em nossa mente capitalista e imediatista. Adquirimos tudo que queremos com muita facilidade e a velocidade que a internet invadiu nossas ideias, apenas aumentou nossa gula pelo novo - automaticamente desaprendemos de apreciar o 'velho'. Não se curte um relacionamento, não se perde tempo em ouvir e entender o outro - nem a si mesmo - pois existe uma fila à espera para ser atendida. Sim, até inventaram um adágio para tal situação. Quando uma pessoa está enrolando a vida da outra, simplesmente dizem: "A fila anda..." e vai em frente sem dó nem piedade, massacrando os sentimentos do outro como se nada valessem.

Uma coisa eu garanto... quem não consegue conviver com sua solidão 'individual', raramente está preparado a ter um relacionamento saudável, equilibrado e construtivo. Não é à toa que os bares, danceterias e clubes noturnos estão abarrotados... seria uma gula pelo novo descartável ou um desespero por não saber viver sozinho?! Hein?!


3 comentários:

  1. Me identifiquei com o texto. Tenho passado por um momento bem parecido em relacao ao que voce abordou: mudar/moldar o outro x incapacidade em aceitar as diferencas. Daqui pra frente vou pensar mais a respeito e investir na filosofia do "velho" e da "aceitacao".

    Emmanuel-NYC

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  2. Seu texto me fez refletir. Casada há oito meses, posso afirmar que um relacionamento requer o reconhecimento das próprias falhas, das atitudes que desagradam. Seria muita prepotência querer modificar alguém apenas para a própria felicidade, aliás, nossa felicidade não deve depender de ninguém. O consumismo atingiu sim os relacionamentos,onde somos produtos ineficientes em preencher o "vazio" do outro.

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  3. Concordo com vocÊ, Raquel. Queremos preencher um vazio que, a princípio NUNCA será preenchido. Este comportamento gera um desgaste em qualquer relação! Temos que abandonar a ditatura do "completar" o outro. No máximo a gente soma ao outro, nunca COMPLETA, pois somos essencialmente incompletos por natureza. Assim penso eu...

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Agradeço o seu comentário, é sempre bom exercitarmos a nossa melhor e mais eficiente qualidade: comunicação!
Forte abraço,
Flávio