9 de agosto de 2010

O médico, o louco e os gatos


Na esperança de divertir, emocionar e me transportar ao mundo musical, fui assistir à "Jekyll & Hyde - O Médico e o Monstro". A versão brasileira envolve mais de 200 profissionais e já foi montada em 17 países. Efeitos incríveis acontecem no palco: chuva, luzes inebriantes, mecanismos eletrônicos admiráveis etc, mas não mexeram com minha alma. uma média de 28 atores e uma orquestra de 17 músicos faz um trabalho técnico de se admirar, mas nada além disso. O roteiro é interessantíssimo: um médico tenta dissociar sua personalidade má de sua personalidade boa, numa espécie de divisão da psique. O ator, Nando Prado, que dá vida ao protagonista, apesar de ser o galã musical do momento e cantar e 'dançar' com técnica apurada, falhou ao dar vida e emoção a um personagem complexo e intenso. Já a mocinha, vivida pela onipresente Kiara Sasso, foi ofuscada pelo brilho, pelo talento e atuação visceral da atriz Kacau Gomes, que interpreta a prostitua Lucy. O cenário dá um show à parte, e por ser um thriller, raramente inspira admiração pela plateia. Terminei a sessão com uma sensação de 'faltou algo'. Tinha tudo para dar certo, mas falhou no quesito básico: emoção!


"Cats" é baseado em catorze poemas do livro infantil "Old Possum's Book of Practical Cats", publicado pela primeira vez em 1939 com ilustrações do próprio autor (T.S. Eliot). Ele escreveu a obra para seus filhos, depois de passar dias observando o comportamento de seus próprios felinos. Isso sim é um roteiro interessante, mas acredito que o musical brasileiro, ainda que inspirado fielmente no americano na Broadway, não conseguiu resgatar a essência de Eliot. Ficou perdido e preso às pirotecnias modernas.
Um monte de gatos dançantes, cantantes e anárquicos... hã, sei... muitos podem me achar superficial ao dizer isso, mas desculpe-me Andrew Lloyd Webber, a montagem não me tocou na alma, não me emocionou e não me fez arrepiar! A todo momento, eu pensava que seria surpreendido por uma entrada triufante de algum número acrobático ou algo do gênero, mas economizei meus aplausos para um momento que considero merecedor: a entrada triunfal do gato preto "mágico" com seu balé solo! Este sim, mereceu aplausos ardidos. Nem mesmo a interpretação da canção mais gravada do mundo, Memory, foi como eu esperava. Pensei comigo, será que estou num dia insosso?! Apesar de todos os amigos que me acompanhavam terem gostado do musical, Cats não mexeu com minha alma, nem com meu emocional. Nunca gostei de gatos... seria isso?!
Nem mesmo a presença do talentoso Saulo Vasconcelos (o eterno "Fantasma da Ópera") salvou, a meu ver, o musical de cair num emaranhado de pulos, alongamentos e cantorias. Os aplausos foram minguados, fracos e mecânicos. Na saída, ninguém comentava ou elogiava... todos pareciam ter passado mais um domingo com cara de domingo. E eu, confirmava de vez o que eu já sabia: "não gosto de gatos"!

De médico e louco todo mundo tem um pouco? E de gato?!

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Flávio