31 de julho de 2010

Mulheres bêbadas e o sábado de sol



Exatamente às 07h40 da manhã de um sábado ensolarado - e lindo! - estava eu no metrô indo trabalhar e tive o "privilégio" de ver uma cena tragicômica. Tente imaginar... muitas pessoas com cara de emburradas, irritadas, insones, solitárias. Algumas deviam estar indo trabalhar, outras voltando do trabalho, mas uma coisa todas tinham em comum: a NÃO vontade de estar trancafiadoa em um trem subterrâneo em um dia claro e iluminado. Bem, se fosse só isso, não haveria problema algum. Afinal de contas, faz parte da vida encarar os dias ensolarados como também os dias acinzentados! É a dinâmica da vida!
Neste clima denso e silencioso, e ao abrir das portas do vagão, entram 4 garotas - certamente todas menos de 18 anos - muito bonitas, mas extremamente vulgares no vestir e no falar. Na verdade em tudo. O cheiro de álcool adentrou ao vagão assim que elas colocaram o pé no recinto. O gritante som de suas vozes roucas acordou os recatados cochiladores de plantão - como se acordassem um titã de seu sono eterno - e para somar à algazarra e gritaria, o conteúdo de suas conversas era muito peculiar! Algo do gênero:
- Camila, eu só não enfiei a mão na cara dela porque ela fugiu! Corri atrás dela até no banheiro.
A outra complementa magnificamente:
- Eu tenho irmão advogado. E ele me disse que segurança não pode fazer nada. Se você não agredir ele, você pode fazer qualquer coisa. Devia ter enfiado a mão nela. Eu entrava no banheiro e enfiava a cabeça dela no vaso!
- Camila, estou cansado disso sabia... eu queria morrer... (sim o papo é totalmente sem nexo e exageradamente alto, sem falar que três delas estavam uma no colo da outra!).
- Credo, você é maluca mesmoooo... eu já logo quebrava a cara dela!
- E dai, morrer é um direito meu, eu tenho este direito, eu quem decido isso. Ninguém pode me impedir, é meu direito morrer!

O trem parou e desceram. Aqueles que pareciam dormir, acordaram de seus sonos letárgicos e uníssonos começaram a conversar com os estranhos ao lado, reclamando da cena surreal que tínhamos presenciado. Todos, eu digo TODOS, começaram a reclamar e balbuciar uns com os outros.

Coloquei meu fone de ouvido e pensei: "Esta seria uma ótima hora para ouvir Chopin". Desci na estação próxima e fui caminhando para o meu trabalhando meditando na seguinte situação: todos deixaram de ser estranhos - começaram a conversar entre si - quando algumas pessoas, supostamente mais estranhas que eles, os tiraram do hipnotismo letárgico que a cidade grande nos coloca. Ponto para as garotas alcoolizadas... conseguiram sacudir um mundo de robôs e ilhas solitárias.

Até o pior, pode ser reaproveitado... pensei! E trabalhei o dia todo feliz! Sou feliz!

17 de julho de 2010

Vida genérica, mundo cópia



Impossível hoje em dia ter uma coisa, seja ela qual for, que não tenha sido copiada, falsificada ou "generizada". O conceito de original e genuíno fica cada dia mais distante. Lembro de uma cena engraçadíssima que vivi 2 anos atrás quando eu estava saindo do Vaticano (Roma), tinha acabado de assistir à missa com o Papa (mesmo não sendo tão fervorosamente católico eu me emocionei com a aparição dele na janela), e me deparei com dezenas de nigerianos vendendos bolsas Prada, cintos Gucci, sapato Ferragamo etc e uma infinidade de produtos 'importados'. Imaginei várias pessoas que conheço no Brasil que adoram gritar a sete ventos que comprar produtos importados e blá blá blá... mal elas sabem que a origem dos mesmos pode ser europeia sim, mas da porta do Vaticano e das mãos dos nigerianos - não que eu tenha algo contra os patriotas nigerianos, mas ela se destacam na multidão italiana justamente por venderem produtos falsificados. Se este produto estivesse na Daslu, garanto que nem a dodoca patricinha saberia diferenciar do verdadeiro.

Quantas pessoas você conhece que vivem uma vida genérica de sonhos, de trabalho, de namoro, de sexo, de profissão, de desejos...?! Pessoas infelizes e mal humoradas que passam a vida toda no 'genérico' sem nunca terem sorrido com a alma, sem nunca terem amado com o coração e muito menos sem nunca terem vivido visceralmente!!!! Nunca experimentaram uma vida genuína!!!!

Têm amigos genéricos - viciados em nunca serem verdadeiros; Têm chefes genéricos - viciados em agredir, gritar e brigar, sem nunca terem sido líderes; Têm amores genéricos - viciados em sugar, exaurir e tirar toda nossa energia sexo-afetiva; Têm trabalhos genéricos - viciados em nos fazer robôs de produção em série, mas sem nunca nos fazer acordar felizes e contentes com mais um dia laboral, ainda que seja uma segunda fria e chuvosa; Têm genéricos do Iphone - com as mesmas funcionalidades, sem nunca o mesmo estilo; Têm genéricos do Office (Windows) - com o mesmo layout, mas sem as mesmas funcionalidades; Têm genéricos de mulher (travestis) - com o mesmo padrão estético, mas com excessos indesejados; Têm genéricos até deles mesmos.

E você, é genérico em que ou de que? Não adianta fugir, você certamente copia, copiará ou copiou alguma coisa! Ser ou não ser genérico, eis a questão! (Até nesta frase podemos ser genéricos de Shakespeare).