17 de maio de 2010

Desejo de existir


O momento está para "reality show" na TV brasileira. Todo programa que se preze tem um quadro que exibe pessoas do 'povo' competindo, brigando, reconciliando... isso me faz pensar no mais conhecido de todos os "reality shows" - a franquia BBB!

Será que eles, os 'reality shows', são realmente 'reais'? Esta interação social realizada diante de um imenso público - telespectadores - pode ser considerada verdadeira?

Antes de serem escolhidos para viver na 'casa',  os personagens não se conhecem e não têm nenhuma história de vida em comum. Talvez a única coisa em comum entre eles seja a vontade de aparecer - exercitando seus lados exibicionistas - e a óbvia vontade de ganhar o famoso prêmio em dinheiro!
Os organizadores são experts e escolhem sempre uma espécie de cada diversidade de papéis existentes na sociedade contemporânea, quase sempre são: negro, gay, mauricinho, patricinha, culto, pobre, rico e por ai vai uma infinidade de estereótipos! Assim todo telespectador irá se identificar com algum participante e por consequência será fisgado pelo programa. Audiência garantida!

Não pode ser considerado fofoca falar mal dos protagonistas de 'reality shows' porque estão ali por vontade própria e podem escolher falar de suas particularidades ou não. Eles sabem que estão sendo observados e nós sabemos que não é proibido observar. Ambos conhecemos as regras. Não é equivalente a olhar o buraco da fechadura de um quarto ou espiar a calcinha da garota que apanha um objeto no chão! É um acordo comum que agrada as partes participantes!

Eu sempre acreditei que este tipo de comportamento social -  reality shows - nunca fossem educativos. Claro que alguns são mais erotizados, vulgares, agressivos, asquerosos etc, mas no geral penso que eles são uma espécie de terapia do cidadão comum. Pode sim nos proporcionar um olhar até certo ponto terapêutico. Vemos os erros e acertos dos 'brothers' na 'realidade' e não na ficção. Diferente de vermos uma novela onde sempre podemos pensar que tudo não passa da cabeça do autor. São nada mais nada menos que representações simbólicas de pessoas e personagens REAIS e que quase sempre estão muito próximos de nosso cotidiano - aqui novamente destaco a importância de ter os participantes mais diversificados possíveis. Acompanhamos a chegada, o conhecimento, a formação de grupos, as disputas, as paixões, os amores, o erotismo, as brigas e por fim a partida. Tal como uma história 'real'.

Talvez falte nos 'reality shows', por serem feitos justamente de vida real, a tão famosa arte. Mas até que ponto a vida imita a arte ou o inverso? Podemos escolher viver em uma ou em outra 'realidade'. Independente de nossa escolha, seremos sempre imperfeitos buscando aprimoração individual nos erros coletivos cometidos pelos outros.

Por isso acredito que já vale a pena passar um tempo 'bisbilhotando' a vida alheia

Um comentário:

  1. Pô Flavio!
    Tu me dá o presente assim quem preciso ter o trabalho de abrir o primor do mimo que é teu texto.
    É completo na imcompletude que tu reconhece no desenvolvimento.
    Existir é caminhar por infinitas estradas direntes: Os passos,o olhar se fortalecem e vão mais além e assim vamos nos construindo.
    É possível Flávio construir riquezas com esse olhar, Teu, perspicas que olha tudo!!!
    E trazer maravilhas como esta!
    Parabéns!
    Abraço
    Cenira

    ResponderExcluir

Agradeço o seu comentário, é sempre bom exercitarmos a nossa melhor e mais eficiente qualidade: comunicação!
Forte abraço,
Flávio