29 de abril de 2010

Amor à flor da pele



Chow (Tony Leung Chiu Wai) e sua mulher acabaram de se mudar. Ele conhece Li-Zhen (Maggie Cheung), uma jovem casada que mudou-se recentemente para o mesmo prédio - na verdade uma espécie de pensão familiar. Como sua mulher fica longe de casa muitas vezes, Chow passa muito tempo com sua nova vizinha Li-zhen - que passa muito tempo sozinha porque o marido muito viaja a trabalho. Eles se tornam amigos até que, um dia, são forçados a encarar os fatos: seus respectivos parceiros estão tendo um caso. Com direção de Wong Kar-Wai, Amor à flor da pele (In the mood for love, 2000 China) é um drama sem igual.

O que vem a seguir são espetaculares cenas permeadas em um ambiente escuro (mas com a iluminação perfeita!), slow motion intrigante e uma trilha sonora arrebatadora (uma delas é o bolero sensual "Quiças.. quiças... quiças..." interpretado por Nat King Cole) que muitas vezes nos deixa incomodado.

Torna-se divertido advinhar o figurino da personagem Li-Zhen a cada cena. Ela esbanja sensualidade no figurino de cores e estampas diferentes, mas com um único modelo de vestido com recortes orientais. Mesmo quem não entende nada de moda ficará boquiaberto com tamanho bom gosto, charme e sensualidade da performance de Maggie Cheung - parece que foi escolhida a dedo para o papel! A cena que ela desce escada para comprar macarrão é uma delas!

Os parceiros dos protagonistas nunca são mostrados, fazendo com que nós, telespectadores, tenhamos que exercitar a imaginação e buscar motivos que comprovem a traição. Fica difícil odiar quem não se vê, desta forma, convivemos com mais dúvidas do que certezas. Entramos no mesmo dilema que vive o casal traído.

Um filme desafiador que nao entrega nada facilmente ao telespectar. Tudo tem que ser descoberto, interpretado, lido, entrelido... assim como amantes num quarto de hotel - às escondidas! A câmera carrega poesia em cada tomada e em cada passeio pelos cantos do que revela. Ela prefere sugerir do que mostrar. Isso tudo numa atmosfera poética de expectativa e solidão. 

Um belo conto romântico do cinema moderno. Um belo jeito de narrar o inefável!

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Flávio