5 de março de 2010

O nosso Hair Spray



Quando vamos assistir a uma montagem musical brasileira que foi inspirada em um famoso musical americano lançado em 2007 – que primordialmente foi inspirado no filme homônimo de John Walter, lançado em 1988 - já sentamos com certa dose de preocupação e antenas ligadas. Assim fui assistir ontem a “Hair Spray” – montagem produzida e dirigida pelo multifacetário Miguel Falabella.

Em sua maioria, atores e atrizes talentosíssimos, têm apuro vocal e corporal bem trabalhados.

Confesso que alguns erros técnicos aconteceram na apresentação que assisti: som falhou diversas vezes; microfone (geralmente na testa dos atores) esbarrando e produzindo um som desagradável; pessoal técnico atrás dos “carros alegóricos” empurrando-os visivelmente; atores piscando ou fazendo gestos para acertar algum desacerto no palco... mas valeu cada risada, cada lágrima – sim eu me emocionei! – e cada gargalhada que eu dei!

A todo instante eu via mentalmente o filme protagonizado pelo talentoso John Travolta, inevitável não compará-los, até porque é nítida a semelhança de traços estéticos de atores, cenário e plástica (obviamente por conta de contrato e franquia, imagino). Claro que o nosso Edson Celulari cumpre bem o papel que lhe cabe e seria injusto compará-lo ao Travolta que já tem talento de sobra para dançar. Edson consegue nos divertir, tem ótima veia cômica, mas deixa a desejar nos dotes musicais e coreográficos. Imagino que não seja nada fácil dançar, cantar e interpretar com roupas pesadíssimas e tão desajeitadas. Ele mesmo assumiu em entrevista que não é cantor nem bailarino. Postura digna e honesta, mas percebemos a sua dedicação em fazer o seu melhor.

A atriz, Simone Gutierrez, que faz o papel da engraçadíssima, afinadíssima, talentosíssima e divertidíssima (tudo ÍSSIMA mesmo) Tracy Turnblad é de crescer os olhos! Apesar de ser baixinha, fofinha (e de ser humilhada na peça por ser gordinha) , dá um show de interpretação vocal, coreográfica e dramática de tirar o fôlego! Aplausos estridentes!

Arlete Salles foi corajosa ao assumir o grande desafio de cantar, dançar e interpretar um papel que foi desenvolvido com maestria por Michelle Pfeiffer no cinema. Com sua idade acredito que nem tudo é permitido - no palco - mas é engraçada e divertida, mesmo me lembrando seus papeis cômicos de novela.

O musical brasileiro tem um desfecho final um pouco diferente do musical de 2007 apresentado no cinema. A impressão que tive é que foi adaptado ao estilo ‘brasileiro’ de ser. Afinal de contas, brasileiro acha graça de algumas coisas e os americanos de outras. Percebe-se claramente o sitcom de Falabella. Ponto para ele! Produziu, dirigiu, traduziu e ao mesmo tempo conseguiu manter a essência da peça. Parabéns pela ousadia, talento e capacidade que o musical tem de nos fazer rir e divertir com uma história que, conceitualmente, é tão polêmica.

Palmas para o Brasil em assumir riscos e acertos e a continuar produzindo musicais desta estirpe! Neste mesmo caminho aplaudo os já assistidos "O fantasma da ópera" e "A bela e fera". Estamos longe de sermos uma Broadway, mas posso dizer com absoluta certeza, estamos bem pertinho!

Quem quiser saber mais detalhes técnicos da peça, vale visitar http://www.hairspray.com.br/

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Flávio