28 de março de 2010

Preciosa


Filmes têm o poder de nos arrebatar, fazer pensar, meditar, questionar, divertir e por ai vai uma infinidade de funções da sétima arte! Alguns cumprem bem esta missão, outros nem tanto. Claro que depende do momento na vida de cada telespectador. Comigo mesmo já aconteceu de uma comédia pastelão me fazer chorar de emoção e/ou mesmo um drama me fazer rir quando todos estavam choramingando. Esta é mágica da luz que dança na tela! A história é única, mas os aprendizados são diversos!

Preciosa (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, EUA 2009) -  é uma história comovente de luta, desejo, dor e dificuldades. Situa-se em New York ano de 1987 no bairro do Harlem. Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente de 16 anos que sofre uma série de privações durante sua infância. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e abusada pela mãe (Mo'Nique), ela cresce transtornada e sem qualquer tipo de amor como referência. Para agravar a situação, ela vive em condições miseráveis. Preciosa tem um filho apelidado pejorativamente de "Mongo", por ser portador de síndrome de Down, que está sob os cuidados da avó e só é trazido para casa quando a assistente social vai visitá-los. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola e começa então o iníco do que seria a mudança em sua vida!

Um filme forte e violento (mas não no sentido explícito - que para mim nem sempre é o melhor recurso!). As cenas são recheadas de câmera manual, passando uma noção de vida real, emoção, intimidade! Além de contar com atuações de Mariah Carey, Lenny Kravitz entre outros, o filme dá conta do recado e nos mostra que vale a pena lutar, mesmo diante da monstruosidade que o ser humano é capaz de se tornar! O amor, a esperança, a amizade valem muito... são preciosidades num mundo cruel e insano! O sofrimento não vence a bondade e a esperança!

A atriz protagonista não parece ser diferente do personagem de tão incrível a simbiose e a entrega ao papel! Aplausos merecidos!

12 de março de 2010

Chicago - Broadway


Pela primeira vez pude assistir a um musical na Broadway e o escolhido foi "Chicago" de John Kander no Ambassador Theatre de New York.

As protagonistas do musical são as assassinas Velma Kelly (Terra C. MacLeod) e Roxie Hart (Michelle T. Williams). Velma é uma estrela de vaudeville cujo status de celebridade apenas aumenta após assassinar à sangue frio o marido adúltero e a irmã Veronica - a amante dele. Roxie é uma dona-de-casa que sonha em se tornar uma cantora famosa. Quando assassina seu amante Fred, que a enganou para poder manter relações sexuais com ela, é mandada para a penitenciária feminina onde conhece Velma. Cenário é a Chicago de 1920.

Um misto de exímios atores, bailarinos (entre eles Jason Patrick Sands que dá um show de talento, interpretação e total entrega ao papel), coreógrafos, cantores e uma produção técnica impecável!

Interessante como no inconsciente coletivo a vilã quase sempre é bonita, mas certamente perigosa! Como se ser bela fosse um passo para ser má! Não é à toa que as pessoas dizem popularmente: "é tão bela que dói". A beleza realmente incomoda e as pessoas esteticamente belas acabam desenvolvendo seus mecanismos de sobrevicência - assim como os esteticamente feios desenvolvem os seus de defesa. Tratado com muito humor negro, o musical é capaz de nos arrebatar visceralmente quando brinca com valores tão fortes e arraigados em nosso âmago. Satiriza a imprensa que busca pelo escatológico, pelo trágico e pelo cruel. Questiona até onde as pessoas podem ir para conseguir o que querem.

Sai do teatro pensando nos musicais que já assisti no Brasil, um deles o inebriante "Fantasma da ópera"... estamos perto, até porque nosso histórico de teatros musicais é muito recente!!!!! Falta treino, falta técnica apurada, falta deixar a criança crescer!

Inesquecível!

6 de março de 2010

Simplesmente complicado


Simplesmente complicado (It's complicated, EUA 2009) é uma deliciosa comédia romântica que nos diverte com tiradas inteligentes, bem escritas, bem alinhadas com o roteiro e totalmente 'reais'. O trio de estrelas: Meryl Streep, Steve Martin, Alec Baldwin, dão conta do recado e cada um a seu modo, complementa as cenas hilárias e engraçadas.

Meryl Streep é Jane, uma mãe de três filhos que tem uma relação amigável com o seu ex-marido, Jake (Alec), após dez anos da separação. A convivência entre eles acaba se transformando em um romance, sendo que Jake, no momento, está comprometido com outra mulher bem mais jovem. Agora, Jane vive um dilema, já que se tornou a amante de seu antigo marido.

Claro que a história se passa entre casais e pessoas ricas - como se a diretora, Nancy Meyers, quisesse mostrar que 'rico também sofre' - em casas magníficas com vistas deslumbrantes e estilos de vida ainda mais invejáveis. Algumas cenas têm um quê de novelas da Globo no estilo 'Manoel Carlos', mas o talento dos protagonistas nos arrebatam. Apesar de ter um traço de filme para divertir a 'mulher dos 40 anos', não perde a sua dignidade, mesmo quando retrata a 'amante' latina, que tem um filho chamado Pedro, como sendo a antipática da situação. Negros são escassos na película - talvez ai mora um ponto desfavorável.
O filme nos faz pensar e rir ao mesmo tempo, mas confesso que o excesso de 'visão feminina' do mundo, usado em exagero, torna-se desgastante alguns poucos instantes.

Vale assistir para ter sua própria opinião. Uma coisa é certa, rir você irá com certeza!

5 de março de 2010

O nosso Hair Spray



Quando vamos assistir a uma montagem musical brasileira que foi inspirada em um famoso musical americano lançado em 2007 – que primordialmente foi inspirado no filme homônimo de John Walter, lançado em 1988 - já sentamos com certa dose de preocupação e antenas ligadas. Assim fui assistir ontem a “Hair Spray” – montagem produzida e dirigida pelo multifacetário Miguel Falabella.

Em sua maioria, atores e atrizes talentosíssimos, têm apuro vocal e corporal bem trabalhados.

Confesso que alguns erros técnicos aconteceram na apresentação que assisti: som falhou diversas vezes; microfone (geralmente na testa dos atores) esbarrando e produzindo um som desagradável; pessoal técnico atrás dos “carros alegóricos” empurrando-os visivelmente; atores piscando ou fazendo gestos para acertar algum desacerto no palco... mas valeu cada risada, cada lágrima – sim eu me emocionei! – e cada gargalhada que eu dei!

A todo instante eu via mentalmente o filme protagonizado pelo talentoso John Travolta, inevitável não compará-los, até porque é nítida a semelhança de traços estéticos de atores, cenário e plástica (obviamente por conta de contrato e franquia, imagino). Claro que o nosso Edson Celulari cumpre bem o papel que lhe cabe e seria injusto compará-lo ao Travolta que já tem talento de sobra para dançar. Edson consegue nos divertir, tem ótima veia cômica, mas deixa a desejar nos dotes musicais e coreográficos. Imagino que não seja nada fácil dançar, cantar e interpretar com roupas pesadíssimas e tão desajeitadas. Ele mesmo assumiu em entrevista que não é cantor nem bailarino. Postura digna e honesta, mas percebemos a sua dedicação em fazer o seu melhor.

A atriz, Simone Gutierrez, que faz o papel da engraçadíssima, afinadíssima, talentosíssima e divertidíssima (tudo ÍSSIMA mesmo) Tracy Turnblad é de crescer os olhos! Apesar de ser baixinha, fofinha (e de ser humilhada na peça por ser gordinha) , dá um show de interpretação vocal, coreográfica e dramática de tirar o fôlego! Aplausos estridentes!

Arlete Salles foi corajosa ao assumir o grande desafio de cantar, dançar e interpretar um papel que foi desenvolvido com maestria por Michelle Pfeiffer no cinema. Com sua idade acredito que nem tudo é permitido - no palco - mas é engraçada e divertida, mesmo me lembrando seus papeis cômicos de novela.

O musical brasileiro tem um desfecho final um pouco diferente do musical de 2007 apresentado no cinema. A impressão que tive é que foi adaptado ao estilo ‘brasileiro’ de ser. Afinal de contas, brasileiro acha graça de algumas coisas e os americanos de outras. Percebe-se claramente o sitcom de Falabella. Ponto para ele! Produziu, dirigiu, traduziu e ao mesmo tempo conseguiu manter a essência da peça. Parabéns pela ousadia, talento e capacidade que o musical tem de nos fazer rir e divertir com uma história que, conceitualmente, é tão polêmica.

Palmas para o Brasil em assumir riscos e acertos e a continuar produzindo musicais desta estirpe! Neste mesmo caminho aplaudo os já assistidos "O fantasma da ópera" e "A bela e fera". Estamos longe de sermos uma Broadway, mas posso dizer com absoluta certeza, estamos bem pertinho!

Quem quiser saber mais detalhes técnicos da peça, vale visitar http://www.hairspray.com.br/