13 de janeiro de 2010

Seres audiofônicos solitários



Tenho observado algo curioso em Sampa. Nos últimos dias eu tenho circulado pela cidade, por conta de resolver pendências pessoais, e notado uma exagerada frequência de pessoas usando fones de ouvido. Umas falando sozinhas - na verdade com o viva voz do celular - outras cantarolando músicas, algumas sorrindo - imagino estarem ouvindo algum programa radiofônico de humor - e por ai vai uma infinidade de combinações audiofônicas. Todos transeuntes voltados para os sons internos, fechando toda e qualquer oportunidade de interação com os sons externos. Uma cápsula de isolamento!

Uma cidade como São Paulo, a maior do país, é repleta de pessoas solitárias. Vivemos no meio de multidões - personificadas em filas, filas e filas para tudo que existe - mas cada um nos seu mundo e na sua tribo. Para quem vem do interior, o meu caso por exemplo, assustamos com tanta gente e tanta diversidade de sabores, odores, sensores e cores. Depois vamos acostumando a ver tantas caras e bocas diferentes. A seguir somos mais uma delas, mesclada às diversificadas máscaras humanas já existentes.

Em Londres fiquei chocado ao entrar no metrô e ver TODAS - eu disse TODAS - as pessoas lendo em um clima de silêncio absoluto, o vagão mais parecia uma sala de meditação budista. Uma paz lá dentro! Uma harmonia aconchegante onde todos estavam absorvendo o conhecimento das letras. Aquilo me marcou demais! Não deixa de ser outra forma de solidão, mas é bem diferente daquela que temos por aqui no lado brazuca de ser.

Será que, mundialmente, estamos caminhando para um mundo de seres vagantes e solitários?!

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Flávio