28 de dezembro de 2009

O novo herói azul




Para mim, Avatar (2009, EUA) empolga e ao mesmo tempo entedia. Explico: empolga por apresentar efeitos especiais bem acabados e perfeitos movimentos sincronizados e reais - não apenas por conta da tecnologia 3D. Entedia porque não inova na narrativa e apresenta uma abundância de elementos simbólicos, principalmente no que se refere ao mundo do herói, que desanimam por não desafiar/surpreender o telespectador.

Mesmo tendo a impressão que o diretor Cameron está apenas exibindo seus dotes tecnológicos e inovadores, esteticamente o filme nos enche os olhos. Inevitável comentar alguns fatos que já cansaram de ser explorados: custou cerca de R$230 milhões + R$200 mi, segundo o site Imdb, em torno da publicidade gasta pelo estúdio para forçar a ideia de que a revolução feita pelo filme equivaleria à chegada do som/cor ao cinema; levou 12 anos para conseguir terminá-lo porque a tecnologia teve que ser desenvolvida; os atores escalados não sabiam para qual filme estavam sendo testados etc.

Não deve ser fácil para um diretor atual - e para toda a equipe envolvida na produção de um filme - criar uma obra que consiga competir com o poder considerável que o DVD, o download, a TV a cabo e a internet, ocupa hoje em nossas vidas.

Humanos serem considerados ETs e o mocinho ter que conviver com o dilema, criado pela paixão, entre dois mundos é algo corriqueiro em filmes de ficção. O roteiro até tenta nos surpreender, mas fatalmente cai no senso comum na finalização de todas as suas histórias paralelas. Talvez esta seja a receita para um blockbuster, ser previsível no desenrolar dos fatos, mas sem perder a capacidade de inovar - e como sempre a tecnologia ainda nos extasia. Um caminho seguro já trilhado por tantos outros: Star wars, Matrix, Senhor dos anéis etc. Já consigo ver a quantidade de estatuetas que o filme levará na grande festa americana.

Ainda assim, acredito que a grande estrela deste filme é o marketing.

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Flávio