22 de dezembro de 2009

Idosos desvairados, dedicação humanitária e agulhas



Semana do Natal: shoppings abarrotados, filas, filas, filas e mais filas... tá bom, eu confesso, eu abomino multidão. Não acredito que nós, brasileiros, estamos educadamente preparados para conviver em aglomerações. As pessoas atropelam, esbarram, empurram, encostam, pressionam - e pedir desculpas que é bom, nada! Ao mesmo tempo que existe um espírito do Natal no ar - que eu mais considero como 'espírito capitalista do TUDO pode' - as pessoas também ficam perturbadas, malucas, desvairadas. O que acontece?!

Até os idosos, que geralmente eu considero sempre mais educados e comedidos, ficam desvairados. Carregam sacolas pesadas sem reclamar, furam filas sem o menor pudor - como se ser idoso eliminasse a obrigação de ser educado - estacionam com uma agilidade admirável, coisa que não acontece em outras épocas do ano! E por falar em idosos, gostaria de saber o que acontece com os idosos de hoje. Alguém saberia me dizer?! Eles estão estressados e vivem testados a paciência do resto das pessoas. Se for para me aposentar assim, prefiro continuar trabalhando e ocupando a mente. Existe algum antídoto para não nos tornarmos assim?!

Ontem assisti na TV à história de uma senhora aposentada - e muito bem de vida - que dedica boa parte de seu tempo aos moradores de uma favela no Rio. Reportagem comovente, profunda e emocionante. Este sim é um exemplo a ser seguido. Uma pessoa a serviço dos menos favorecidos. Ela poderia estar curtindo a confortável vida com seus filhos - também com alto padrão de vida - e não se preocupando com nada, mas optou por doar o seu tempo e dinheiro aos necessitados. Contou que é assim desde criança. Que sente necessidade de auxiliar o próximo. LINDO!

Logo a seguir, no mesmo programa televisivo, assisti à reportagem do padrasto que enfiou mais de 10 agulhas de costura no corpo seu enteado de 2 anos - para cumprir rituais de magia negra. Dopava o bebê com vinho e água. Recuso a continuar comentando detalhes, não é necessário!

Depois veio a reportagem de crianças que enviam cartas ao Papai Noel e algumas pessoas 'adotam' estas cartas e realizam os pedidos dos pimpolhos. Pensei de novo comigo: belo exemplo de vida! Algumas crianças pediam comida e roupa.

Eu, sinceramente, não consigo sorrir quando sei que existem pessoas chorando de fome. E nesta época, tudo isso fica mais latente porque a televisão usa estas histórias para nos comover e para ganhar Ibope, claro.

Pergunto: você comemora o Natal pelo o que vê ou pelo o que não vê?

Um comentário:

  1. Querido Flávio.

    Lindo e rico tudo que crias!
    Respondendo a tua pergunta.
    "Pergunto: você comemora o Natal pelo o que vê ou pelo o que não vê?"
    Eu comemoro o fato de EXISTIR com a CORAGEM de suportar todas as perdas: De pessoas que amo, perda de parte do corpo, perdas econômicas, perda moral, material, perda da juventida, perda social, perdas afetivas, perda da saúde e mais tods as perdas existentes infinitamente.
    Os Natais, o mundo, as pesoas não mudam, mas Eu mudei para aceitar o mundo, os Natais e as pessoas exatamente como são.
    Sofro, mas o sofrimento é sublimado.
    Grande abraço
    Tuas crônicas são instigantes!
    Abraço
    Cenira

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Agradeço o seu comentário, é sempre bom exercitarmos a nossa melhor e mais eficiente qualidade: comunicação!
Forte abraço,
Flávio