10 de novembro de 2009

Moço, tem vestido rosa?


Geisy Arruda, 20, posa com vestido que provocou polêmica que a expulsou da Uniban

O que mais me comove no ser humano é a sua capacidade INFINITA de sentir o que realmente não sente - coisa que não acontece no reino animal!

Ficamos chocados com Hitler e sua psicopatia ao criar a utopia de uma raça "pura" e exercitá-la cruelmente em seu campo de concentração.
Ficamos boquiabertos com o muro que dividia as Alemanhas, um muro construído para extirpar, limitar e eliminar a liberdade do ser humano.
Ficamos estupefatos com a adolescente com cara angelical, Suzanne Von Richthofen, que assassionou os pais a pauladas enquanto dormiam.
Ficamos estarrecidos ao ver o casal Nardoni, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Jatoba, jogar pela janela a filha de 5 anos.

Até que ponto?!

Podemos ser mais crueis que Hitler, mais desumanos que o Muro de Berlim, mais brutais que Suzanne e muito mais demoníaco que Alexandre Nardoni. Quando humilhamos uma garota, Geisy Arruda, 20, por usar um microvestido rosa nos corredores de uma faculdade (diga-se de passagem uma instuição não muito bem avaliada pelas instituições fiscalizadoras do ensino do Governo Federal), estamos exercitando o nosso lado vil, mesquinho, hipócrita e doentio.

Gostamos de apontar os dedos, mas nos escondemos em nossas vis atitudes julgadoras de falsa moral.

Com esta atitudes, não estaríamos isolando, matando, reprimindo e brutalmente destruindo o que o ser humano tem de mais valioso, que é a sua liberdade de expressão?

Milhares de famosas, pré-famosas, pseudo-famosas e aspirante a famosas, saem nas capas de revistas masculinas abrindo as pernas, arrrebitando as bundas photoshopiadas, fazendo biquinhos de virgens puras e sedutoras, e todos compram as revistas e até as colocamos no banco do taxi ou no consultório médico para ajudar a passar o tempo. Elas têm dinheiro, elas são pagas para isso, então permitimos se venderem. Tem uma justificativa "capital".

Se o funk, o pagode ou o axé não ocupam espaço em minha estante - muito menos na mente - por que razão isso me levaria a destruir, condenar e ofender quem admira os gêneros mencionados?

Nas praias se usam drogas descaradamente, nas boates as pílulas azuis rodam soltas, nos escusos consultórios médicos abortos são praticados...

E a Geisy, não não não... ela não pode usar uma roupa curta, porque isso pode nos fazer lembrar que nossa mente tem o mesmo comprimento!
E não vale usar a "aparência" da moça para justificar os seus preconceitos. Se fez isso, cuidado!

E vale o dito megapopular, sempre inspirador: NOSSO DIREITO TERMINA ONDE O DO OUTRO COMEÇA.

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Flávio