4 de setembro de 2009

SMS



Tenho observado um fato muito curioso: as pessoas estão cada dia mais dependentes de aparelhos eletrônicos. Um deles, talvez o mais cultuado hoje em dia, é o telefone móvel - mais conhecido como celular. Do pedreiro ao executivo, todos possuem celular. É muito comum possuir hoje em dia mais que um aparelho e/ou chip. Os limites na comunicação foram derrubados. Até mesmo uma conhecida operadora de telefonia usa o slogan "sem fronteiras". Uma empresa de pesquisa de mercado, chamada Synovate, levantou dados assustadores sobre o consumo atual de celulares. A quantidade de pessoas que possuem mais de um aparelho celular é maior do que aqueles que não possuem nenhum. Minha mãe, por exemplo, tem mais de 75 anos e quis um celular, mal saber usar 10% das funcionalidades do aparelho, mas tem e usa.


O mais interessante é que a briga agora é pela novidade, pela tecnologia. Por enquanto o Iphone ainda lidera. E olha que nestes quesitos eu o considero imbatível. Uso o aparelho para inúmeras atividades diárias, talvez a menos usual seja 'falar'. Podemos fotografar, filmar, escrever/ler e-mails, acessar à internet, desenhar, ouvir música, baixar conteúdos, jogar etc. A nossa forma de comunicar mudou profundamente. Trocamos mais mensagens de texto - os chamados SMS - do que conversamos pessoalmente com as pessoas. É uma nova conexão com nossas vidas e quase sempre supera nossa comunicação olho-no-olho.

As pessoas não ficam sem celular em nenhum momento! Esperando elevador, presas no trânsito, estáticas nas filas, andando pelas ruas, usando o banheiro etc, sempre começam freneticamente a mexer no aparelho, é uma fixação incontrolável que se apoderou da coletividade. É uma desesperada necessidade de atenção e uma crescendo tendência ao egoismo. O mais divertido é participar da vida e das decisões pessoais de pessoas estranhas. Outro dia, no elevador da Universidade, uma moça discutia aos prantos com o namorado por ele não entender as dificuldades dela no relacionamento. Quando tiver que descer no meu andar, ela continuou, fiquei torcendo para que ela voltasse para ele. Quase continuei só para ver o desfecho final da história, mas estava atrasado (risos).

No metrô de Londres, há um ano atrás, fiquei perplexo ao perceber que o vagão inteiro estava lendo alguma coisa: livro, jornais, gibis etc, e ninguém falava ao celular. Ninguém falava alto nem tampouco portava algum telefone móvel visível. Certamente possuíam, mas tive a impressão que não cultuavam tanto o aparelho. A cultura ocupava um lugar de destaque.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço o seu comentário, é sempre bom exercitarmos a nossa melhor e mais eficiente qualidade: comunicação!
Forte abraço,
Flávio