22 de setembro de 2009

Putas tristes



Um querido amigo me presenteou com uma obra espetacular, ganhadora de Prêmio Nobel de Literatura e que aqui no Brasil foi traduzida por Eric Nepomuceno e publicada pela Editora Record, chamada MEMÓRIA DE MINHAS PUTAS TRISTES do Gabriel Garcia Márquez. O que me faz admirar um bom autor, dentre tantas outras características, é capacidade que ele tem de nos prender a atenção e nos 'forçar' a CON(viver) as suas dores, amores, sabores e calores. Numa sentada só peguei o livro e me delicei sem limites, pois a leitura é divertida, agradável e muito interessante. Ver o mundo com os olhos de um homem de 90 anos, de forma tão direta e profunda, não é algo tão comum de acontecer. Falar do óbvio, mas de forma magnífica! Questionar um amor profundo, insano... mas qual amor é equilibrado?!

Segue um 'teaser' para quem ainda não leu:

... "Graças a ela enfrentei pela primeira vez meu ser natural enquanto transcorriam meus noventa anos. Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir a mina mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado de alma e sim um signo do zodíaco. "


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Flávio