28 de setembro de 2009

Na natureza selvagem



Um jovem de 22 anos recém-formado, Christopher McCandless, decide abandonar a vida de conforto para ir em busca de seu sonho: buscar a liberdade pelos caminhos do mundo até o Alasca selvagem. Para isso, doa suas economias, abandona seu carro e sai apenas com uma mochila nas costas, sem avisar os pais de sua decisão. Assim é "Na natureza selvagem" (Into the wild, EUA 2007), baseado em fatos. Este drama é recheado de conceitos metafísicos, construídos sobre as teorias de grandes escritores (Tolstoi / Thoreau) lidos e cultuados pelo protagonista ao mesmo tempo que servem de base para os questionamentos levantados pelo narrador - voz off da irmã de McCandless. Seguindo seus instintos ele viaja de carona com estranhos, nas boleias de caminhões, de canoa, a pé, arranja empregos temporários... Tudo na medida do necessário para sua sobrevivência. Não se fixa nem estabelece relacões afetivas. Quando isso começa acontecer, trata de partir sem avisar, como se estivesse fugindo da possibilidade de sofrer. Busca a sua própria felicidade, ao mesmo tempo que exercita o desapego total do mundo material, da mentira, da mesquinharia e das relações capengas.

Uma direção magistral feita com muitas cenas com a câmera nas mãos e imagens trêmulas - simulando imagens documentais. Mérito de Sean Penn que escreveu e dirigiu o longa. O enredo vai intercalando a viagem de Christopher com rápidos flashbacks de seu passado - sempre narrados em off pela irmã. Penn não dá uma aura mística nem esotérica ao personagem, mas sim procura mostrá-lo como uma pessoa de fácil convívio, espontânea e que, mesmo cultivando certa tristeza interior, é capaz de seguir em frente com seus objetivos. A dedicação e a entrega do ator, Emile Hirsch, às vivências do protagonista é um feito surpreendente. Percebe-se nitidamente a coragem, o profissionalismo e o prazer do ator no exercício de sua profissão, levando-nos a crer que a ficção é o real. A trilha sonora fica a cargo de Eddie Vedder (vocalista do Pearl Jam) em seu primeiro álbum solo, o que o levou a obter vários prêmios - melhor canção e melhor banda sonora. A fotografia é um deleite que busca equilibrar o selvagem com o frágil; o doce com o amargo; o simples com o perigoso. Um festival de cores, nuances, brilho e ritmo, como raramente vemos nas telas.

Fica no final, para mim, a grande pergunta: o NOSSO selvagem está fora ou dentro de nós?

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Flávio