8 de setembro de 2009

Escopofilia desvairada



Por mais que eu ame e seja aficcionado em tecnologias, ainda me espanto com a rapidez invasiva que o mundo tecnológico apodera-se de nosso cotidiano outrora pueril. Antes era só deixar o fone fora do gancho que não éramos mais encontrados, caso quiséssemos dormir, fugir do mundo e/ou mergulhar em nossos tormentos psicológicos. Hoje temos câmera em todos os lugares, até nos mais imprevisíveis que a nossa vã imaginação consegue alcançar.

Além do telefone fixo e do endereço geográfico, atualmente temos celular, e-mail, orkut, blog, twitter, site, msn, SMS, GPS etc. É um desejo desvairado por ser visto, encontrado, numa frenética vontade de estar sempre conectado a tudo e a todos - uma necessidade 'doentia' por novidades. Desculpe-me Christian Metz*, mas a pulsão escopofílica não se limita apenas ao cinema, nem somente à câmera ou ao ego do espectador como sujeito transcendental, acredito que esta necessidade reality show, quase sempre mórbida, já está fazendo parte do nosso dia-a-dia.

Existe uma nova categoria nos meandros da comunicação permeada pelos recursos tecnológicos atuais: a internet. Sim, esta senhora de menos de 4 décadas de seu surgimento inicial, toma boa parte de nosso precioso tempo. Sem ela, quase nada fazemos hoje em dia. Quando não acessamos nossos e-mails pessoais (no plural, nota-se), temos a sensação equivalente a ver o carteiro indo embora com uma correspondência urgente que não nos foi entregue.

Se alguém conhece alguma pessoa que não acessa nenhuma destas tecnologias mencionadas acima, POR FAVOR, me avisa, pois esta pessoa deve ser descendente direta do Dalai Lama e está aqui neste planeta apenas para ajudar-nos - pobres e viciados mortais - a evoluir. Preciso praticar o desapego e ir ao encontro da luz.


* Christian Metz - The Imaginary Signifier: Psychoanalysis in France, 1925-1985.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço o seu comentário, é sempre bom exercitarmos a nossa melhor e mais eficiente qualidade: comunicação!
Forte abraço,
Flávio