29 de julho de 2009

Trilogia das cores: azul, branco e vermelho

Eu sou encantando pelo cinema europeu. A sua narrativa, trilha sonora, fotografia, montagem, atores... tudo é único e foge ao óbvio. O diretor Krzystof Kieslowski, cineasta polonês e um dos meus preferidos, é uma unanimidade. Sua história é deveras curiosa. Morando em Paris e desiludido com a política, Krzystof resolveu filmar as dores do mundo. A Trilogia das Cores (Trois couleurs, 1993-1994), inspirada nas cores da bandeira francesa, e em seus significados, é um dos momentos mais poéticos do cinema europeu.



Bleu, A Liberdade é Azul, (1993) é o primeiro e é um drama. Julie (a linda Juliette Binoche) perde o marido (famoso compositor) e a filha pequena em um acidente de carro. Tenta se matar mas não consegue pois é fraca demais para fazer isso. Fica só. E ser livre é, muitas vezes, difícil. O filme é recheado de momentos de dor, solidão e busca pela liberdade. A trilha sonora de Zbigniew Preisner é espetacular e nos conduz ao clima denso do filme. O final, é emocionante.





Blanc, A Igualdade é Branca, (1993) é o segundo e uma película próxima à comédia. Para Karol Karol (Zbigniew Zamachowski), cabelereiro polonês, estar vivo não é nada fácil. Vai à Paris e é humilhado. Sua mulher, Dominique (Julie Delpy), pede o divorcio, já que Karol Karol não "consumou" o casamento - fato este que dá um tom cômico-dramático às cenas seguintes. Por ser humilhado e ignorado pela esposa, ele volta à Polônia (fugindo dentro de uma mala) e arquiteta a sua mais magnífica forma de vingança - que não detalharei aqui para não estragar a surpresa de quem vai assistir. Hilário e extasiante!





Rouge, A Fraternidade é Vermelha, (1994) é o terceiro e último filme da trilogia. Assemelha-se a um poema, recheado de fotografia impecável. O rosto de Irene Jacob, musa com beleza clássica e angelical, flutuando em fundos vermelhos é de aquecer qualquer coração. Irene é Valentine, modelo suíça que vive em Paris, longe do namorado ciumento. Sua história é interligada à de um jovem que quer ser juiz. Valentine atropela uma cadela e ao levá-la de volta ao dono - endereço na coleira, conhece um estranho que passa seus dias ouvindo ligações telefônicas dos vizinhos. Desse encontro surge uma estranha amizade que, aos poucos, modifica a vida de ambos personagens. Magnífico!


P.S.: A Liberdade é Azul ganhou o Leão de Ouro em Veneza como melhor filme e melhor fotografia, tendo ainda Juliette Binoche como melhor atriz. A Igualdade é Branca deu o Urso de Prata em Berlim para Kieslowski como melhor diretor. A Fraternidade é Vermelha ganhou Cannes como melhor filme, o Cesar por melhor trilha sonora e foi indicado ao Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro e ao Oscar como melhor direção, melhor roteiro e melhor fotografia.

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Flávio