24 de julho de 2009

Ponte para Flaviobítia



Com o tempo perdemos o que temos de mais precioso que é a docilidade e a pureza infantil. Nada é tão puro quanto o sorriso - sempre sincero - de uma criança. Sou hiper suspeito em defender os conceitos infantis, uma vez que é notória a minha eterna vontade de ser pai e o meu amor incondicional às crianças - e aos meu sobrinhos que crescem mais rápido do que a minha necessidade de estar ao lado deles.

O filme da Disney "Ponte para Terabítia" (Bridge to Terabithia, EUA 2007) me fez chorar deliciosamente, pois relembra a infância com seus dilemas peculiares, que todos nós passamos ou 'pulamos'. Reforça que o mais importante é acreditar no que sonhamos e imaginamos e a sempre manter a mente aberta para o novo. A obra cinematográfica foi inspirada no livro que foi publicado em 1977. A autora Katherine Paterson o escreveu como forma de consolar seu filho mais novo, David, devido à morte trágica de uma grande amiga. O enredo descreve maestrosamente a vida de um casal de adolescentes com características muito diferenciadas do que seria senso comum. A garota, Leslie Burke, é uma excelente competidora de corrida na escola, independente e extremamente decidida no que quer e na forma de se vestir, destacando-se da maioria feminina. Já o garoto, Jess Aarons, é sensível, calado, tímido e ótimo desenhista. Como se não bastasse ele possui 4 irmãs, sendo o único filho homem na família. Estas discrepâncias nos perfis de cada um - já que a mulher na sociedade é sempre mostrada como sensível e o homem como rústico - os leva a desenvolver uma amizade sui generis, criando juntos mentalmente um reino mágico e encantado (Terabítia) que serve de refúgio para ajudá-los a enfrentar os problemas que enfrentam na escola. Terminei o DVD com a doce e inefável sensação de que minha infância foi vivida.
Pensei no quanto eu me diverti quando era criança pequena - já que ainda me sinto criança, só que agora grande. Eu e uma turma de molecada da rua, íamos para os córregos próximos e brincávamos de floresta: mergulhávamos na água barrenta, engolíamos peixinhos acreditando que assim aprenderíamos a nadar - eu sempre jogava o peixinho de volta na água e dizia que tinha engolindo, minha porção vegetariana já estava querendo sair! Tínhamos um mundo só nosso, onde não existia medo, raiva, angústia, vingança nem tampouco inveja. Era um mundo inventado, sim era, mas isso não o fazia inferior. Um dia éramos índios, no outro éramos astronautas, no seguinte cientistas. Era o nosso refúgio, nossa válvula intermediadora, nossa ponte para o mundo dos adultos.


Até hoje mantenho certos refúgios para os momentos mais críticos da vida. Seja usando um objeto da infância - tenho um par de sapatinhos que usei quando tinha menos de 1 ano, uma foto inspiradora ou mesmo uma imagem mental cravada na parede do cérebro. Cada um cumpre o seu papel que é resgatar-me do mundo dos 'adultos' e levar-me para o mundo 'flaviobítia' - onde tudo é possível, e a única coisa que é impossível é ser adulto - na concepção pejorativa da palavra.

E você, tem o seu mundo? Está desenvolvendo ou matando o seu refúgio interno?

Um comentário:

  1. OI, Flávio.
    Obrigada pelas dicas de filmes. Gostei muito. abraços

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Agradeço o seu comentário, é sempre bom exercitarmos a nossa melhor e mais eficiente qualidade: comunicação!
Forte abraço,
Flávio