3 de julho de 2009

O riso de Borat



A mistura de gêneros é uma constante no cinema atual. Um filme não é mais facilmente rotulado como 'drama' ou só 'suspense'. Fazem-se filmes cômicos com apurados textos dramáticos, apoiados em muito suspense regado ao realismo do cinema moderno e mesclado ao romantismo satírico, passando pelo fantástico e fechando a história com pedaços de cenas realistas ao estilo documentário.

A comédia BORAT (Borat: cultural learnings of America for make benefit glorious nation of Kazakhstan, EUA 2006) não contém toda esta miscelânea fílmica, mas certamente é um exemplo bem humorado que não pode ser ignorado. O filme é apuradamente levado às raias do humor escatológico e irreverente. O ator britânico Sacha Baron Cohen, no papel do jornalista do Cazaquistão chamado Borat Sagdiyev, dá um banho de interpretação realística ao misturar cenas de pessoas comuns às cenas editadas e frias dos filmes produzidos para parecerem 'reais'. A massacrante crítica política contra o sistema americano é um de seus pontos-chaves. Nâo falo de política partidária, mas sim daquela que envolve os valores culturais de um povo, as suas formas de expressão, suas crenças e seus orgulhos. Debate-se, regado a muita risada por parte do telespectador, sexualidade, etiqueta, racismo, folclore, status, consumismo, capitalismo e um turbilhão de comportamentos ditados pelo modo 'americano' de ser. Expõe-se claramente o preconceito e a hipocrisia da cultura americana.

Ver o personagem correndo pelado atrás de seu produtor, ambos atravessando um salão onde acontece um congresso de corretores de imóveis, é apenas uma cena a mais no turbilhão que nossos olhos verão. Sim, é um filme para se rir muito - se você gosta de filmes ao estilo "Casseta e planeta x Mister Bean x Jerry Lewis x Peter Sellers " - um riso educador, questionador e altamente ácido. Não é um filme "mamão com açúcar" nem tampouco é para ser visto com a família toda reunida numa tarde de domingo, mas certamente é uma película que irá mexer com seus valores morais, ou no máximo irá deixar você boquiaberto diante de tamanha audácia do personagem/ator.

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Flávio