9 de julho de 2009

Espaçonave e tribo



"São Paulo é um lugar de todas as
tribos, mas cada um na sua!"
Acho interessante o quanto a cidade de São Paulo é plural. No mesmo dia, podemos ver um punk ouvindo MPB, um emo curtindo música setaneja, um padre almoçando num restaurante badalado e caro, um executivo de bermuda e tênis, uma loirinha de cabelo crespo, um negro de olhos azulados, um japonês de cabelos platinados, um chef de cozinha comendo hot dog na esquina. Esta miscigenação é forte e latente em todas as classes sociais.


É uma espaçonave estacionada no planeta chamado Brasil. Tudo aqui é único, diferente e não é um produto seriado. Como em toda espaçonave, ela é isolada do resto do planeta, não depende dele para viver, tem suas leis próprias que são regidas pelos seus "pilotos". Dela partem tendências, leis, modismos, costumes e regras. Queira sim ou queira não, você sempre fará parte de uma tribo. Nem sempre gostamos que outros integrantes de outras tribos venham opinar ou invadir nosso mundinho. Não raramente queremos impor nossos costumes tribais a outros indivíduos. A forte tendência a copiar o outro é que nos faz sermos aceitos em grupo. O multiculturalismo paulistano é uma prova de que é possível convivermos com os diferentes sem deixar sermos 'contaminados'. Cada um na sua - com direito a circular (não permanecer!) por entre a tribo alheia. Quem aqui vive, esquece do resto do mundo. Fica-se fechado e isolado do contato extra-terrestre. Tem-se tudo para viver, e viver bem!


A necessidade de expressão é algo típico do gênero humano, os animais em sua maioria são iguais em suas aparências e vivem bem em bandos. Já nós, os humanos, temos necessidade de sempre sermos diferentes na forma de vestir, falar, expressar, possuir, agir e politicar. Como se estivéssemos buscando eternamente um ideal inatingível. Conheço uma pessoa que gosta de fofocas (aliás quase todos gostam), mas o prazer dela não é simplesmente fofocar. Ela gosta de 'parecer' diferente, ela busca saber o que ninguém sabe, de um ângulo diferenciado. E se for alguma fofoca de conhecimento de todos, ela sempre traz algum 'ponto' diferencial e exclusivo, como se isso fizesse dela uma pessoa 'diferente' e única. Quer sempre saber mais do que todos, gastando muito tempo e energia nisso. É uma forma de ser diferente, já que, por minha dedução, ela tenha dificuldade em ser genuína em outros aspectos de sua vida pessoal, principalmente no afetivo. Cada um na sua...


Qual tribo você pertence? É melhor perguntar para seus amigos...

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Forte abraço,
Flávio