7 de julho de 2009

Arthur e o Pequeno Príncipe*




Arthur era uma criança doce, carinhosa e agitada. Tinha pouco mais de sete anos e um sorriso contagiante no rosto. Mesmo morando num barraco na favela Camaleão, ele gostava muito de ler e ouvir histórias contadas pelos adultos. Seu pai não sabia ler, muito menos sua mãe, desta forma ele passava as noites olhando para a Lua através dos buraquinhos no telhado de seu quarto que ficava no alto do morro. Não tinha televisão em casa. Quando ia à escola sentia-se feliz, pois a tia Dalva sempre lia histórias antes do intervalo. Este era o momento mais esperado por ele, quando o contato com a sua imaginação o fazia voar para muito longe de sua triste realidade. Aprendeu o gosto pela leitura na escola, onde sua professora Dalva sempre dizia que a leitura é uma forma de viajar sem sair do lugar.


Seu maior sonho era ganhar o livro "O pequeno príncipe" de Antoine Saint-Exupéry. Quando pediu o livro a seus pais como presente de Natal, eles ficaram totalmente frustrados e não sabiam como dizer ao filho que não tinham dinheiro nem para comer, muito menos comprar um livro. Sua mãe Beatriz o chamou no quarto quando seu pai tinha saído e confidenciou:

- Filho, seu pai não tem dinheiro para comprar o livro que você pediu. Eu estou sem emprego e também não tenho condições. O pouco dinheiro que conseguimos é para comprar comida. Achamos mais importante alimentá-lo com comida do que com livros. Assim você consegue ir à escola e estudar.

A partir deste dia, nunca mais Arthur teve coragem de pedir nada a seus pais, pois viu o sofrimentos nos olhos de sua mãe.

Começou a pedir dinheiro na escola, dizia que era para comprar remédio para seu cachorrinho que estava doente. Conseguiu juntar, com a ajuda dos coleguinhas Bia e Gabriel, um total de R$5,95. Pegou este valor e saiu correndo até a livraria da esquina. Entrou e com seu saquinho de moeda na mão direita, pediu ao balconista:

- Tio, me dá o livro "O pequeno príncipe".

Colocou o saquinho de moeda no balcão. O atendente olhou para ele com cara de espanto. Com o mesmo olhar varreu todo o perímetro no qual estava a criança e não viu ninguém que pudesse ser seu pai ou sua mãe. Sorriu, passou a mão em sua cabeça e disse:


- Olá garoto. Qual seu nome?
- Arthur...
- Arthur, o livro que você quer não chegou ainda, só teremos na semana que vem, ok? Volte depois.


O pobre garoto murchou o semblante, recolheu suas moedas e saiu cabisbaixo. Na verdade o vendedor mentiu ao dizer que o livro estava em falta. Ele ficou com pena de ter que dizer ao garoto que o livro custava R$20,00 e que suas moedas não eram suficientes para adquiri-lo. Achou melhor não contrariá-lo.


Arthur voltou para casa triste e naquela noite não conseguiu dormir. Passou a noite toda sonhando com as viagens do príncipe de cabelos loiros encaracolados. Viu os primeiros raios do sol nascer através dos buracos no seu telhado. Era Natal. Levantou da cama, calçou seu chinelinho marrom e foi para sala. Ao invés de leite com bolacha, como sua mãe sempre colocava na mesa, encontrou um pacote de presente. Correu gritando:

- Mãeeee, de quem é este presente?
- É seu meu filho, Feliz Natal!

Arthur num gesto instintivo abriu o pacote, rasgando o papel vorazmente. Era o livro. Capa branca brilhante, desenhos em aquarela nas cores amarela. Não acreditou quando leu "O Pequeno Príncipe". Pulou nos braços de sua mãe e a abraçou forte - sem soltar o livro de suas mãos. Nem lembrou de perguntar sobre seu pai. Mal sabia que a esta hora seu pai estava limpando a piscina do vizinho para assim ter dinheiro para comprar comida. Abriu o livro, sentou no chão... Seus olhos brilhavam... E começou a ler vagarosamente:

- "Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, "Histórias Vividas", uma impressionante gravura. Ela representa ela uma jibóia que engolindo um animal."


* Esta estória foi iniciada por mim e continuada por 4 crianças adoráveis: Bia, Biel, Van e Tutu, numa tarde de domingo. O que era para ser apenas uma brincadeira, acabou tornando-se algo prazeroso e de grande valor. Graças a eles, pude ver, nesta estória codificada por mim, o mundo com olhos mais ingênuos e puros - típicos da imaginação infantil.

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