15 de junho de 2009

Sonhos e Pipas



Tem momentos em nossas vidas que a única opção que nos resta é ouvir o acaso. Com o dedo indicar escolhi um DVD para assistir numa noite fria e chuvosa. Acabei escolhendo dois:
TERRA DE SONHOS (In America, 2002, Drama. Direção: Jim Sheridan) e O CAÇADOR DE PIPAS (The kite runner, 2007, Drama. Direção: Marc Forster) que mostram 2 realidades totalmente adversas entre si, mas totalmente convergentes em suas apologias. Fazem-nos pensar na vida, em nossas atitudes, nossas mágoas, nossos erros, nossos acertos e na nossa capacidade - também indiretamente chamada de esperança - que temos de corrigir/amenizar os erros que inesperadamente cometemos em algumas situações. Nem sempre temos a chance de corrigi-los, quase sempre o que foi feito não é passível de alteração.


  • TERRA nos ensina a abandonar a dor, não se apegar a fatos tristes e traumáticos que não podem jamais ser mudados. Mostra o lado doce da vida, ao mesmo tempo que contrapõe o lado desumano e agressivo que ela nos apresenta. Valoriza a família, o carinho, a força de acreditar no que às vezes nos parece impossível e lutar contra o senso popular. Faz parte de toda perda viver o luto da dor. O que não podemos permitir é deixar que ela molde nossas crenças e nossos valores, pois a dor é um estado de espírito momentâneo.

  • CAÇADOR discute o valor da confiança, da fidelidade, da amizade e da honestidade. Não de uma maneira vazia e fria, mas apresenta-nos estes valores recheados de argumentos 'ação x reação' e com uma roupagem até certo ponto metafísica. Agride-nos com sua paisagem e cores belas, mas antagônicas à violência e ao animalesco desejo de domínio advindo dos vis desejos humanos. Nem sempre a submissão e a fidelidade é idolatrada em nosso mundo moderno, mas elas são capazes de provar o verdadeiro amor que sentimos por uma pessoa. O amor sincero não é prepotente, não é duvidoso e não tem tendências vingativas.
Emocionei profundamente com ambos os longas. Um choro de êxtase, de alegria, de saber que uma pessoa - no caso o escritor e/ou o diretor - compartilham dos mesmos sentimentos 'coletivos' que eu acredito, nutro e valorizo. Um emocionar de identificação esperançosa e crente de que no fundo, vale a pena acreditar no amadurecimento e no crescimento dos nossos iguais. O caminho é árduo, mas sofrer acreditando é muito mais vantajoso do que sorrir duvidando!

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Flávio