22 de junho de 2009

A queda e o poço




- Flávio, eu estou no fundo do poço e o poço me recusou!

Foi assim que um amigo me confidenciou ao telefone suas amarguras metafísicas e sua tristeza momentânea perante a vida. Nestas horas, na qualificação de amigo, tenho o dever de mostrar que a vida é muito mais do que um momento ruim isolado. Mas como eu tenho total liberdade com ele, e ele para comigo, sou mais direto e ouso dizer algumas palavras que certamente sei que surtirão um maior efeito positivo - afinal de contas ele é um amigo que admiro muito!

Fiquei pensando no quanto criamos 'mundos esquistos' em nossa mente e seguimos vivendo e morando nestes cômodos apertados, sujos, precários e cheios de poeira. Vez ou outra é preciso alguém entrar, abrir as janelas, aspirar o pó e deixar o sol entrar! Balançar os móveis, trocar a disposição dos mesmos e perceber que existe sujeira por debaixo do tapete SIM, mas ela pode ser varrida se estivermos dispostos a levantá-lo. Este é o papel do amigo - dentre tantos outros - levantar o tapete, pegar a nossa cabeça e forçá-la em direção à sujeira exposta. Fácil não é, mas certamente é uma das formas de analisar a situação, é um ponto de vista.

Outra opção é esquecer toda e qualquer sujeira, focalizando a nossa energia no lado positivo da vida, das pessoas e da própria situação apresentada - sempre existe um lado bom. É acreditar somente no melhor, mesmo quando o pior nos acomete. É não se preocupar com a sujeira debaixo do tapete, mas sim ficar contente por existir um tapete. É contentar com a saúde, com a família, com os amigos 'verdadeiros', com o trabalho, com a visão... Sentir-se grato por estar vivo!

Os fatos reais não mudam nunca, mas a forma como os encaramos fará toda a diferença no resultado.

E termino respondendo a você meu fiel amigo:

- Poços sempre existirão em nossa vida, querendo ou não. Quase sempre caimos sem vê-los, mas saiba que nesta hora o que faz a diferença é ter uma mão que nos jogue uma corda e nos resgate da escuridão e nos puxe até a luz. Conte comigo!

Um comentário:

  1. Querido Flávio!!

    A Linguagem falada, escrita
    Feia, bonita
    Nos faz "CAIR NO FUNDO DO POÇO"

    A mesma linguagem sem ordem
    Em desordem, livre, solta
    São nossos pés que ao encostar no fundo do poço (no solo, na rocha, na pedra bruta)
    Impulsiona com toda força
    Fazendo que que submergimos

    Se aqui estamos é porque já chegamos ao fundo, já impulsionamos nossos pés e estamos nadando no posso.
    Com a cabeça fora da água, conseguimos respirar.
    A cada nova abraçada, avançamos e chegaremos onde escolhemos chegar.
    Nesse instante escolhi chegar aqui!!
    Muito obrigada Flávio.
    Tem um artigo teu muito instigante sobre a MORTE que quero desbravá-lo assim que possível.
    Abraço.
    Cenira

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Agradeço o seu comentário, é sempre bom exercitarmos a nossa melhor e mais eficiente qualidade: comunicação!
Forte abraço,
Flávio