18 de junho de 2009

Morrer para viver




Nosso inconsciente coletivo é recheado de alegorias que fortalecem a ideia de que a morte é uma passagem, uma ponte. Não sabemos o que nos espera, nem tampouco se há algo nos esperando. Toda morte gera frutos - uns apodrecem e outros amadurecem. Somos impulsionados a viver de um novo jeito, desenvolver habilidades que antes nem acreditávamos ter. Sim, nisso a morte é uma ponte. Mas ela também gera dor, sofrimento, angústia e podridão. Ela nos tira a energia e nos coloca em estupor hipnótico.

O seriado "A sete palmos" (Six feet under - 2005, EUA) nos mostra, dentre tantas outras problemáticas interessantíssimas, que nem tudo na vida se resolve fugindo e se esquivando de encarar as 'pontes'. Quanto mais fugirmos, maiores serão as travessias. No primeiro episódio piloto, a família Fisher perde o seu patriarca Nathaniel num acidente automobilístico. Ruth, a então viúva, e seus 3 filhos (David, Claire e Nate), têm que levar adiante a funerária da família que sempre foi a sua fonte de sustento. Durante as 5 temporadas, assistimos a um show magnânimo de 'mortes'. Todo episódio inicia com uma morte física, mas as mortes que mais me comoveram foram aquelas feitas interiormente, aquelas onde houveram batalhas homéricas, recaídas, conquistas e duelos espartânicos.



Sempre acreditei que a melhor forma de resolver um problema é encará-lo, enfrentá-lo. Por anos esta foi uma das minhas verdades de conduta preferida. Hoje não é mais tão hegemônica. Acredito que muitas situações na vida, nem merecem o nosso tempo. Às vezes o que temos que resolver são nossas próprias falhas: seja por acreditar demais numa pessoa ou por ingenuamente achar que ela estará ao seu lado quando mais precisar.
"NO MOMENTO INCERTO CONHECEMOS AS PESSOAS CERTAS" - isso sim acredito piamente.


Qual o impacto que a morte teve em sua vida? Não menciono a morte física apenas, mas a morte na crença de um sentimento, ou em uma pessoa, ou em uma ideologia ou até mesmo em um ser humano. Qual morte mais fez você viver? Você já sofreu por morrer?

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Flávio