26 de junho de 2009

Michael, Obama, Stradivarius e o ponto cego




A todo instante, em nossos relacionamentos pessoais, damos dicas de nossos traumas, medos, receios e desejos. Seja na forma como amamos, tratamos ou mesmo como ignoramos as pessoas. Temos uma vida inteira para desenvolver nossas qualidades na intenção de 'calar' os nossos defeitos - que certamente possuimos. Poucas pessoas se preocupam com isso. A maioria está mais preocupada em vencer, ganhar dinheiro, conquistar, atingir, comprar...


Engraçado como é extremamente difícil aceitar ouvir de outra pessoa os nossos próprios defeitos. Agimos como se eles estivessem sempre no nosso ponto cego - às vezes realmente estão. Frequentemente tentamos vender aos outros apenas nossas qualidades e nossos acertos. Algumas pessoas, raras diga-se de passagem, conseguem transformar os seus pontos cegos em admiráveis Stradivarius. Outras pessoas conseguem perceber a beleza, a harmonia, a perfeição e a singularidade existente no próximo, assim como reconhecer um legítimo instrumento de corda feito pelo italiano Antonius Stradivarius no meio de tantos outros. Estas sim merecem minha admiração imparcial. Fazer de suas desgraças um verdadeiro motivo para vencer e atingir objetivos é certamente uma admirável qualidade.


Michael Jackson certamente foi uma destas pessoas inesquecivelmente única. Lançou modismos, ditou comportamentos, criou conceitos e estabeleceu marcos na história na música, na dança e no mundo pop. Teve uma vida cruel, sem infância - talvez por isso tenha se tornado um adulto que buscou viver na 'terra do nunca' onde as crianças nunca envelhecem. O preço que pagou foi alto - pagou com sua própria vida pessoal. Perdeu-se em seus próprios devaneios estéticos na busca incessante pelo padrão ariano e hegemônico de ser. Hoje temos nos EUA um presidente negro num país altamente preconceituoso, mas isso era inconcebível décadas atrás. Ele, Obama, lutou contra um consenso massacrante e fez de seu ponto cego um vitorioso e majestoso Stradivarius, tal como Michael. Dois negros que trilharam caminhos distintos em suas vidas pessoais, pagando altos preços, mas certamente dignos de admiração.

Você já parou para pensar (e localizar!) os seus
pontos cegos??!!!

24 de junho de 2009

Onde está a sujeira?




Érica era uma menina doce e carinhosa. Adorava desenhar de bichinhos de pelúcia e mantinha uma coleção imensa de Barbies - algumas delas trazidas de viagens feitas por parentes. A sua verdadeira tristeza era seu pai nunca lhe dava carinho, nem sequer a olhava direito. Vivia muda e introspectiva pelos cantos, acreditando que um dia ele iria levá-la para tomar um sorvete na pracinha da esquina ou que ambos iriam comer pipoca juntinhos frente à televisão. Ao invés disso, seu pai, quando não estava vociferando com sua mãe dando-lhe ordens e mais ordens na organização da casa, estava na rua reclamando da vida e jogando conversa fora com os amigos do xadrez.


Por não saber dirigir, quando entrou na universidade, Érica imaginou que teria a grande chance de sua vida que era ficar sozinha com seu pai no carro no trajeto diário até a faculdade - já que ele iria levá-la nos 6 primeiros meses. Talvez ali ela pudesse estreitar os laços afetivos e obter o tão desejado carinho que sempre sentiu falta. A esperança a movia, seu amor era maior do que a dúvida.


Primeiro dia de aula ela acordou motivada e com um sorriso contagiante nos lábios. Deu bom dia a todos e lá se foram. No trajeto, seu pai passou os trinta minutos reclamando ininterruptamente da sujeira do rio, do lixo acumulado, da água suja, do mal estado de conservação da estrada, da falta de educação das pessoas, do governo que nada faz para melhorar esta situação e por ai foi... Érica nem teve tempo de perguntar nada nem ouvir nada de seu pai. Ficou chocada por ouvir tanta reclamação e mal humor em tão pouco tempo. Não entendia como ele via tanta coisa negativa num rio tão bonito e bucólico. Um pouco rústico, sim era, mas nada como ele descrevia.


O tempo passou e a doce menina teve que aprender a dirigir e ir sozinha para a faculdade depois que seu pai faleceu. Neste dia muita coisa mudou. Ela percebeu que do lado do motorista, na pista esquerda, também tinha um outro córrego, bem menor que o da direita, mas era EXATAMENTE como seu pai descrevia. Ela até achou que ele não tinha sido tão exagerado assim, pois a sujeira era realmente imensa e absurda. Naquela manhã nem conseguiu ir à aula. Parou o carro no estacionamento da faculdade e chorou por muito tempo. Foi um choro de perdão, de dor e de arrependimento por ter compreendido que perdeu muito tempo julgando o comportamento de seu pai e gastou pouco tempo amando-o despretenciosamente. Agora era impossível fazê-lo, perdeu tempo demais reclamando da reclamação de seu pai e não gastou um segundo sequer amando-o como ele precisava.

22 de junho de 2009

A queda e o poço




- Flávio, eu estou no fundo do poço e o poço me recusou!

Foi assim que um amigo me confidenciou ao telefone suas amarguras metafísicas e sua tristeza momentânea perante a vida. Nestas horas, na qualificação de amigo, tenho o dever de mostrar que a vida é muito mais do que um momento ruim isolado. Mas como eu tenho total liberdade com ele, e ele para comigo, sou mais direto e ouso dizer algumas palavras que certamente sei que surtirão um maior efeito positivo - afinal de contas ele é um amigo que admiro muito!

Fiquei pensando no quanto criamos 'mundos esquistos' em nossa mente e seguimos vivendo e morando nestes cômodos apertados, sujos, precários e cheios de poeira. Vez ou outra é preciso alguém entrar, abrir as janelas, aspirar o pó e deixar o sol entrar! Balançar os móveis, trocar a disposição dos mesmos e perceber que existe sujeira por debaixo do tapete SIM, mas ela pode ser varrida se estivermos dispostos a levantá-lo. Este é o papel do amigo - dentre tantos outros - levantar o tapete, pegar a nossa cabeça e forçá-la em direção à sujeira exposta. Fácil não é, mas certamente é uma das formas de analisar a situação, é um ponto de vista.

Outra opção é esquecer toda e qualquer sujeira, focalizando a nossa energia no lado positivo da vida, das pessoas e da própria situação apresentada - sempre existe um lado bom. É acreditar somente no melhor, mesmo quando o pior nos acomete. É não se preocupar com a sujeira debaixo do tapete, mas sim ficar contente por existir um tapete. É contentar com a saúde, com a família, com os amigos 'verdadeiros', com o trabalho, com a visão... Sentir-se grato por estar vivo!

Os fatos reais não mudam nunca, mas a forma como os encaramos fará toda a diferença no resultado.

E termino respondendo a você meu fiel amigo:

- Poços sempre existirão em nossa vida, querendo ou não. Quase sempre caimos sem vê-los, mas saiba que nesta hora o que faz a diferença é ter uma mão que nos jogue uma corda e nos resgate da escuridão e nos puxe até a luz. Conte comigo!

Rei




Um leão jamais tem tempo para lamentar
Ele acorda, olha os filhotes e seu bando
Acredita em sua sina
Proteção, Guia, Luz
Dorme como o Senhor
Sua aura laranja emite força
Anda majestosamente pela relva
Jogando sua cauda demarcadora
Sua fulva juba impõe respeito
Transfigura poder
É o rei, sim ele é
Ajoelhem-se.

18 de junho de 2009

Morrer para viver




Nosso inconsciente coletivo é recheado de alegorias que fortalecem a ideia de que a morte é uma passagem, uma ponte. Não sabemos o que nos espera, nem tampouco se há algo nos esperando. Toda morte gera frutos - uns apodrecem e outros amadurecem. Somos impulsionados a viver de um novo jeito, desenvolver habilidades que antes nem acreditávamos ter. Sim, nisso a morte é uma ponte. Mas ela também gera dor, sofrimento, angústia e podridão. Ela nos tira a energia e nos coloca em estupor hipnótico.

O seriado "A sete palmos" (Six feet under - 2005, EUA) nos mostra, dentre tantas outras problemáticas interessantíssimas, que nem tudo na vida se resolve fugindo e se esquivando de encarar as 'pontes'. Quanto mais fugirmos, maiores serão as travessias. No primeiro episódio piloto, a família Fisher perde o seu patriarca Nathaniel num acidente automobilístico. Ruth, a então viúva, e seus 3 filhos (David, Claire e Nate), têm que levar adiante a funerária da família que sempre foi a sua fonte de sustento. Durante as 5 temporadas, assistimos a um show magnânimo de 'mortes'. Todo episódio inicia com uma morte física, mas as mortes que mais me comoveram foram aquelas feitas interiormente, aquelas onde houveram batalhas homéricas, recaídas, conquistas e duelos espartânicos.



Sempre acreditei que a melhor forma de resolver um problema é encará-lo, enfrentá-lo. Por anos esta foi uma das minhas verdades de conduta preferida. Hoje não é mais tão hegemônica. Acredito que muitas situações na vida, nem merecem o nosso tempo. Às vezes o que temos que resolver são nossas próprias falhas: seja por acreditar demais numa pessoa ou por ingenuamente achar que ela estará ao seu lado quando mais precisar.
"NO MOMENTO INCERTO CONHECEMOS AS PESSOAS CERTAS" - isso sim acredito piamente.


Qual o impacto que a morte teve em sua vida? Não menciono a morte física apenas, mas a morte na crença de um sentimento, ou em uma pessoa, ou em uma ideologia ou até mesmo em um ser humano. Qual morte mais fez você viver? Você já sofreu por morrer?

Sem ir ar




Sem ir ar
Não andamos
Não pensamos
Não sorrimos
Nem sequer sonhamos

Sem ir ar

A vida perde o sentido
O mundo o seu colorido
O mental faz-se destruído
A alegria sem ruido

Sem ir ar

Quanta coisa perdemos
Quanto rancor corroemos
Quanto desamor vivemos

Sem ir ar

Não saberia o que é alegria
Nem teria o sabor da folia
Jamais morango provaria

Sem ir ar
Meu mundo sucumbiria
Nem ao menos sorriria
Muito menos a vida valeria!



18/06/2009

17 de junho de 2009

Assalto e dignidade



Para algumas pessoas, o excesso de bom humor matinal é uma ofensa, para outras é uma atitude necessária. O sorriso agride quando estamos chorando. O choro incomoda quando estamos sorrindo. De forma que não importa o estado de espírito que você esteja agora, sempre haverá o lado 'negro' da força para contrabalancear as nossas energias. Saber CON(viver) com esta dualidade é que nos trará o tão sonhado equilíbrio e a disputada paz de espírito.

Mas nada me deixou mais perplexo do que ter ouvido um comentário a princípio sem importância - levando em consideração a vida que uma metrópole oferece - de um estranho na mesa ao lado no restaurante:

- Pois é, ele foi assaltado porque ficou dando 'bandeira' a noite falando ao celular naquela rua escura! Eu disse isso para ele!

A pobre pessoa assaltada, além de ter sofrido o trauma da violência em si, de ter perdido bens materiais e dinheiro, ainda tem que ouvir um "amigo" descarregar-lhe toda a maldade sádica e injusta. Estamos num época onde ser assaltado, agredido, roubado, violentado, não basta. É preciso ouvir uma gama de pessoas que irá apontar os dedos e acusar, mas estender a mão para acolher, acomodar, entender, compreender... Ah, isso meu caro, está extinto!

Fiquei pensando por um bom tempo na pessoa que sofreu o assalto, não no assalto material praticado pelo ladrão, e sim no assalto de dignidade que seu 'amigo' lhe cometeu ao disparar uma frase tão desumana! As pessoas perdem muito tempo em acusar e não gastam um segundo sequer em defender. O mundo vai ficando egoista, o tempo vai ficando escasso e a correria do dia-a-dia engole o mínimo de humanidade que ainda nos resta. Não temos tempo para mais nada! Cada um no seu quadrado... Que triste!

15 de junho de 2009

Sonhos e Pipas



Tem momentos em nossas vidas que a única opção que nos resta é ouvir o acaso. Com o dedo indicar escolhi um DVD para assistir numa noite fria e chuvosa. Acabei escolhendo dois:
TERRA DE SONHOS (In America, 2002, Drama. Direção: Jim Sheridan) e O CAÇADOR DE PIPAS (The kite runner, 2007, Drama. Direção: Marc Forster) que mostram 2 realidades totalmente adversas entre si, mas totalmente convergentes em suas apologias. Fazem-nos pensar na vida, em nossas atitudes, nossas mágoas, nossos erros, nossos acertos e na nossa capacidade - também indiretamente chamada de esperança - que temos de corrigir/amenizar os erros que inesperadamente cometemos em algumas situações. Nem sempre temos a chance de corrigi-los, quase sempre o que foi feito não é passível de alteração.


  • TERRA nos ensina a abandonar a dor, não se apegar a fatos tristes e traumáticos que não podem jamais ser mudados. Mostra o lado doce da vida, ao mesmo tempo que contrapõe o lado desumano e agressivo que ela nos apresenta. Valoriza a família, o carinho, a força de acreditar no que às vezes nos parece impossível e lutar contra o senso popular. Faz parte de toda perda viver o luto da dor. O que não podemos permitir é deixar que ela molde nossas crenças e nossos valores, pois a dor é um estado de espírito momentâneo.

  • CAÇADOR discute o valor da confiança, da fidelidade, da amizade e da honestidade. Não de uma maneira vazia e fria, mas apresenta-nos estes valores recheados de argumentos 'ação x reação' e com uma roupagem até certo ponto metafísica. Agride-nos com sua paisagem e cores belas, mas antagônicas à violência e ao animalesco desejo de domínio advindo dos vis desejos humanos. Nem sempre a submissão e a fidelidade é idolatrada em nosso mundo moderno, mas elas são capazes de provar o verdadeiro amor que sentimos por uma pessoa. O amor sincero não é prepotente, não é duvidoso e não tem tendências vingativas.
Emocionei profundamente com ambos os longas. Um choro de êxtase, de alegria, de saber que uma pessoa - no caso o escritor e/ou o diretor - compartilham dos mesmos sentimentos 'coletivos' que eu acredito, nutro e valorizo. Um emocionar de identificação esperançosa e crente de que no fundo, vale a pena acreditar no amadurecimento e no crescimento dos nossos iguais. O caminho é árduo, mas sofrer acreditando é muito mais vantajoso do que sorrir duvidando!

"Eu tava lá"



Final de semana passado, véspera de feriado, o trânsito na capital paulistana bateu o seu próprio recorde segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) foram 295 Km de congestionamento, ultrapassando a antiga marca que é de 242 Km em 1996.

Deveria ser proibido usar a palavra 'recorde' quanto formos mencionar algo ruim, negativo ou pejorativo... Imagine só alguém usando um adesivo no carro:

"295KM EM SP! EU TAVA LÁ!"

Não duvido muito que em breve alguém terá esta 'mirabolante' ideia.
Seria até engraçado se não fosse trágico!
Paulistano adora uma fila: supermercados, cinemas, estacionamentos, catracas, ônibus, trens, bancos, restaurantes etc... e no trânsito, claro.
Só em São Paulo para existir uma emissora de rádio especializada em descrever o dia todo os pontos de lentidão no trânsito! E muitos ouvintes acham que estão arrasando em seguir as dicas dos locutores: cortar tal rua, entrar a direita, virar na viela, contornar a pracinha, fugir da via fulana, não passar pela via sicrana... e por ai vai.

Onde vamos parar...? Bip Bip...

12 de junho de 2009

Senhor do anos




O tempo é um senhor impiedoso que nos dá sabedoria, mas nos tira a vivacidade e o frescor da juventude. Você pode concordar ou discordar disso. Se concordar, acredito que você tenha mais de 30 anos, se discordar é o inverso.

Quando jovem aproximamos de um precipício e ainda nos divertimos com isso, sem medo algum! É uma aventura brincar com o perigo.

Quando maduros, não aproximamos tão facilmente do precipício porque temos certo receio que estando à margem, uma rajada de vento pode nos empurrar... não temos a mesma capacidade de nos recuperar após uma queda. Cada tombo nos pesa mais e exige mais energia para nos recuperarmos. Não podemos contar com a sorte do momento.

Se passarmos uma noite toda bebendo ou nos divertindo, certamente teremos uma dívida póstuma a ser paga durante a semana inteira – o corpo cobra.

E olha que este perigo que menciono é apenas conotativo!

A minha teoria, altamente pessoal, é a de que após os 30 anos tudo muda (e olha que isso é científico!) e o nosso corpo/mente começa um processo de reversão que não pode ser estopado. Começa-se com uma dorzinha de cabeça, uma dorzinha no corpo, a pele cansada e opaca, uma olheirazinha depois de uma noite mal dormida, um cabelo seco sem vida, um acúmulo depressivo de gordura lateral – a chamada ‘pochete’ e por ai vai... vai sem dó.

Posso parecer pessimista ao dizer isso, no fundo afirmo que não o sou, mas fico aqui me perguntando... o que a maturidade REALMENTE pode nos trazer de melhor além da experiência de vida e um certo apuro técnico em nosso GPS pessoal? O que você acha?

7 de junho de 2009

Amor orgânico




Não amamos quem a gente ama o tempo todo. Quase sempre há 'breaks', pausas e preguiças de amar. Acontece de passar um tempo sem a gente amar quem a gente ama, sim acontece! Agora, se acontece um perigo, uma doença, uma paquera, ai a gente desperta de novo o amor de quem a gente ama, como quando cochilamos num filme chato e acordamos assustados.


Às vezes quem a gente ama faz uma coisa que não é legal, que deixa a gente irritado, nervoso, contrariado. Um jeito de falar (ou não falar) pode desencadear um rancor grande!


A gente pode esquecer a data do aniversário de namoro, esquecer de ligar várias vezes ao dia, esquecer de falar 'bom dia', esquecer de dizer 'eu te amo' (ainda que com gestos!)... ai começamos a calcular mental e psicologicamente que estamos amando mais do que sendo amados. Tem hora que não queremos falar, nem responder, nem discutir, muito menos argumentar. Pronto! Começam as complicações, as picuinhas, as infantilidades e retrocessos traumáticos! Existe uma cobrança para amar quem a gente ama sem descanso. É difícil manter a corrente do amor horizontal e esticadinha, mas numa destas paradas para tomar água, depois de tanto esforço, é que passa um bandido ou uma bandida e nos riscam o peito no momento mais frágil! Deixam a paisagem árida e voam como pássaros. Não é falta de amor!


Em alguns momentos, quando estamos super sensíveis, a gente precisa de mais amor, mais carinho, mais cuidado, mais atenção, e não recebe. Como reposta a gente recua, afasta, some, esconde, entra no claustro onírico e não mais quer sair. Queremos uma mão que nos resgate, nos ofereça apoio, compreensão, entendimento... mas ela não vem! Sentimos falta de um amor orgânico, que nos ame sem agrotóxicos, nem nos coloque em situação de decomposição.


Nestas horas, a gente pesa o amor que a gente sente...!

2 de junho de 2009

Viciados em estresse




Fico pensando no que (des) motiva alguém no ambiente de trabalho. Quando começamos um trabalho novo, tudo é festa, é motivador, é desafiador, até que o tempo vai sorrateiramente esgotando nossa reserva energética de ânimo, coragem, força e vitalidade. E bummmm... lá vem o famigerado estresse! Ai tudo é desonestamente explicado por ele. Está espirrando: é estresse! Está com olheiras: é estresse (ainda que tenha passado a noite na farra e na bebedeira!)! Está irritado: é estresse (ainda que seja mau humor crônico)! E inicia-se um ciclo infindável e vicioso. Uma verdadeira aspiral de lamentações e autopunições.

Os americanos, sempre eles, fizeram uma recente pesquisa com milhares de pessoas, e chegaram à conclusão (óbvia!) de que não é a carga horária de trabalho que nos cansa, produz doença ou nos estressa. A origem de todos estes males seria o modo como nos relacionamos no trabalho.

Aquele que é viciado em trabalhar, muitas vezes não gosta do que faz e acaba se escondendo e ‘descontando’ as suas neuroses no próprio trabalho. Trabalha, trabalha, trabalha, para assim não sobrar tempo para pensar em sua vida insossa, fútil e deficiente.
Aquele que é apaixonado pelo trabalho, trabalha, trabalha tanto quanto aquele que é viciado, mas não se cansa nem tampouco fica doente ou ‘estressado’.

A diferença não estaria na carga horária, mas sim no modo de ‘ver’ e assimilar o seu relacionamento com o trabalho. Ai aparece o nosso ‘bode expiatório’ chamado estresse. Na verdade o que nos estressa não é o trabalho em si, mas a forma como nos estressamos com alguma coisa (ou pessoa!) que nos apegamos como pretexto para não enxergarmos a forma como estamos levando a nossa vidinha sem graça.


E viva o trabalho dos apaixonados e ‘out’ para o trabalho dos viciados!


Estresse cansa!