24 de abril de 2009

Bordado e pessimismo


Foto - fonte Google 2009




"A vida pode ser comparada a um bordado que no começo da
vida vemos pelo lado direito e, no final, pelo avesso. O avesso não é tão bonito, mas é mais esclarecedor, pois deixa ver como são dados os pontos."



Alguns escritores deixaram suas marcas registradas eternamente em suas obras e escritos. Um deles, que admiro intensamente, é ARTHUR SCHOPENHAUER (Danzig 22/02/1788, Frankfurt 21/09/1860), filósofo alemão do século XIX da corrente irracionalista. Sua mais importante obra é "O mundo como vontade e representação", embora o seu livro "Parega e Paralipomema" (1851) seja o mais conhecido. Ele foi o responsável por introduzir o Budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã. Influenciou em muito o pensamento de Friedrich Nietzsche. Quem pouco conhece de suas obras vai apenas dizer que ele era um homem infeliz, pessimista e negativista. Quem tiver um pouco mais de tempo e boa vontade para ler e 'decifrar' as suas obras, irá entender o verdadeiro legado que ele nos deixou.

Seguem dois engraçados (e curiosos) fatos em sua vida:

Uma vez, ele teve de aguentar a companhia de uma mulher muito falante, que contou detalhes como sofria no casamento. O filósofo ouviu paciente e quando a mulher perguntou se ele a entendia, respondeu:
- Não, mas entendo o seu marido.

Em outra conversa, perguntaram se ele pretendia casar.
- Não, pois só me traria aborrecimentos.
- Aborrecimentos por quê?
- Porque teria ciúme por minha mulher me trair.
- Como tem tanta certeza?
- Porque eu ia merecer.
- Por quê?
- Por ter me casado.

16 de abril de 2009

Vida estúpida


Wilhelm von Kaulbach, A Destruiçãoo de Jerusalém por Tito, 1846

Vivemos uma desvairada correria
Queremos o belo inatingível
Compramos, gastamos, entupimos
Intencionamos preencher o vazio esfomeado
Acumulamos lixo como ninhos de ratos
Competimos para ser o melhor
Desejamos sexo intenso e vigoroso
Sonhamos com um amor novelístico
Aspiramos uma paixão avassaladora
Buscamos lugares personalizados
Falamos muito de tudo o tempo todo
Refletimos nada de nós mesmos nunca
Destruimos o planeta por consumismo
Alimentamos falsas conscientizações
Sete palmos nos esperam
Corra, compre, acumule!
Oh, vida estúpida!

16/04/2009

13 de abril de 2009

Vórtice Dor



Eu acordei de um confuso sonho
Você jamais acreditaria
Parecia que sempre estive longe
Tão longe, tão distante, tão afastado
Imagens distorcidas de uma realidade teatral
De duras mentiras, segredos, podridão nematódea
Um castelo de pedras sobre estruturas aeradas
Um universo de colagens monocromáticas
Não pretendia ser outra pessoa
Muito menos outra realidade
Dores heredológicas massacrantes
Uma realidade esquadrinhada pela artimanha
Uma trombeta anuncia a dúvida
Uma dor confirma a intuição
Dissecação mental, autópsia sacramental
Andor, dor, estupor, clamor
- Houve amor?!
Nunca desejei tanto acordar
Ainda trôpego pelo sonho
Aspirei dormir
Retornar
Apagar
Desejar
O ar
13/04/2009