26 de março de 2009

Velha dor



Espera incessante
Noite Dia
Lua Sol
Olhar perdido
Vago futuro angustiante
Desconhece a espera em vão
Inútil obsessão

Bolsa a tiracolo
Casaco surrado incolor
Sandália almofadada
Dor genuinamente dor
Penteado de vovó
Feições de criança

Não pode ultrapassar as grades
O porteiro a observa ao longe
Ela espera, sussurra solitária
Uma paciência admirável
Uma incansável espera

Pessoas entram
Saem, saem, entram
Pessoas
Imóvel dor, latente vontade
Dor da irritante espera

A cada noite, a cada dia
Eu a encontro sentada
Alimento a esperança
De um dia vê-la sorrindo
Abraçando
Vivendo
Abandonando a dor
Da fútil espera

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Forte abraço,
Flávio