27 de março de 2009

Fome



Alimente uma ilusão
Ela se concretiza
Alimente um sonho
Ele se realiza
Alimente um sentimento
Ele reproduz
Alimente um rancor
Ele dilacera
Alimente um olhar
Ele fere
Alimente um sorriso
Ele prospera
Alimente um não
Ele responde
Alimente um talvez
Ele se oculta
Alimente um sim
Ele concorda
Alimente o amor...
... que por si só é destrutivo!

19/10/2000

Vinda


Ao meu desejo, eu reverencio
A dor da perda, ultrapasso
A fome e o cio, sacio
Ao coice do destino, sublimo
A secura do olhar, embriago
A vontade carente, aprisiono
Ao medo da solidão, isolo

Vida
Morte
Vim da morte
Vinda morte
Vi a morte vindo
Morte
Vida
Movida à morte.

Por que a morte me espera?
Não tenho saída, somente entrada
Devo ver a luz no final do túnel, me disseram
Por que?

Quero saber
Preciso da certeza
Se é inevitável, quero ser sincero comigo mesmo:
_ Viver é morrer cada dia um pouco mais?
Será...?


04/maio/2002

Meu querer



Queria te ter de novo
Sabores, odores, sensores
Queria te ouvir de novo
Clamores, rumores, pavores

Queria te olhar de novo
Ilusão, coração, sensação
Queria te tocar de novo
Atração, pulsação, satisfação

Queria te sentir de novo
Queria te tocar de novo
Queria-te...
Queria...

10/junho/99

Sentimentalidades



O meu desejo é lhe ter por inteiro
Poder lhe fazer feliz sem barreiras
Criar fendas de prazer e gozo
Ver seu rosto feliz e sua mente branda
Olhar em sua alma e sentir minha presença
Transformar minha fome em fartura
Meu sonho em concreto
Meu medo em prazer
Minha solidão em onipresença

Não te quero por fração
Quero além do que posso imaginar
Sonhos, fantasmas, colisões, estupor, dor
Quero provar do que é forte

Felicidade é pouco diante da realidade
Sou farto
Sou do bem
Sou aquele que mais pensa no amor
Sou aquele que ama e respira
Ama e se inflama de prazer

Apareça
Vamos crescer
Vamos subir
Vamos juntos
Há saídas
Há vidas
Quando há amor!

SP 20/12/2.000

26 de março de 2009

Velha dor



Espera incessante
Noite Dia
Lua Sol
Olhar perdido
Vago futuro angustiante
Desconhece a espera em vão
Inútil obsessão

Bolsa a tiracolo
Casaco surrado incolor
Sandália almofadada
Dor genuinamente dor
Penteado de vovó
Feições de criança

Não pode ultrapassar as grades
O porteiro a observa ao longe
Ela espera, sussurra solitária
Uma paciência admirável
Uma incansável espera

Pessoas entram
Saem, saem, entram
Pessoas
Imóvel dor, latente vontade
Dor da irritante espera

A cada noite, a cada dia
Eu a encontro sentada
Alimento a esperança
De um dia vê-la sorrindo
Abraçando
Vivendo
Abandonando a dor
Da fútil espera

18 de março de 2009

Diversão


Menino rico comprou um brinquedo
e brincou
brincou com vontade

Menino rico brincou
brincou
brincou
o brinquedo caiu
bateu
e rebentou!

Meninos pobres apanharam os restos
e fizeram brinquedinhos.

(18/03/2009)

Poema inspirado no poema "Fábula" de José Craveirinha

11 de março de 2009

Polaridades Conectivas



Quando penso no que você representa em meu Ser
Eterno supremo afeto
Que me instiga deturpando meus sentidos
Enobrecendo meus sonhos e desejos
Enaltecendo minha libido num ciclo sem fim,
Assim me vejo incondicionalmente viciado

Vícios Nobres
Viciado em Vermelho
Viciado em Amar
Viciado em Entender
Viciado em Sonhar

Em Filmes
Em Yôga
Em Fotografia
Em Legumes
Em Sorrir
Em Água
Em Ser Amigo
Em Ser Fiel
Em Cores
Em Música
Em MM
Em Sexo com Afeto
Em Alegria
Em Maddy
Em Psicanálise
Em Dançar
Em Vegetarianismo
Em Agradecer

Viciado em Não Julgar
Viciado em Escutar
Em Nunca Radicalizar
Em Jamais Exasperar
Em sempre Compreender
Em Exaustivamente Evoluir

Sou Viciado em Resolver, Dissolver, Dissecar, Fragmentar, Esquadrinhar...

E assim vou Flaviando tudo... Mapeando... Arquivando... Amadurecendo... Construindo

Criando em mim um Ser que almeja o Equilíbrio, ainda que distante, mas REAL.

Acreditando em você, Creditando em Mim.

(Poema criado em 05/10/2004)