6 de janeiro de 2009

Fragmentos femininos




PARTE I - O desespero

Se você me abandonar
Talvez nem saiba, mas vou definhar lentamente
Não conseguirei mais comer pipocas frente a TV
Nem peru no natal
Não terei forças para acordar na segunda-feira
Nem me depilarei às sextas depois de um dia cansativo
Não farei mais chapinhas no cabelo
Nem cutículas irei arrancar
Não irei usar maquiagem, muito menos me perfumar
Não farei as sobrancelhas
Não ficarei sem comer brigadeiro
Muito menos doce de leite
Deixarei de ser mulher
Um monstro me habitará
Desilusões dementes brotarão

A cada dia, a cada hora, serei sugada pelo breu da morte
Serei amordaçada pela escravidão de seu amor
Serei torturada diante de meus desejos
Serei usada
Experimentada
Provada

Ah meu amor, Ah meu bem
Não me deixe, eu imploro você
Se pretende me desligar
Não me avise, apenas suma numa manhã chuvosa e fria
Não me dê calor, nem me alimente
Só me olhe, me acaricie
Estarei contente
Doente



PARTE II - A raiva

Tola eu acreditar e sonhar
Um humano incompleto, distorcido
Quis ser mãe, mulher, menina
Tola eu acreditar e sonhar
Um animal vadio
Em infinito cio
Disposto a jorrar seu sêmen
Mundano, nojento, sujo
Imundo

Tola, idiota, burra, ingênua, estúpida
Como fui tola!
Amar alguém bruto
Sem cor, sem vida, sem rumo
Idiota paguei o preço
Agora individada a vida cobra
Dei o meu melhor
Agora pago com o pior
Dor, tristeza, agonia
Raiva



PARTE III - A vingança

Não irei me sossegar
Quero todos os homens da terra
A me desejar, me querer, me olhar
Serei musa, deusa, afrodite, vadia
Da beleza, do prazer, da cama, da mesa
Da carne

Você perdeu - idiota!
Agora sigo meu rumo
Pagará cada minuto
Cada segundo, cada dia que gastei chorando
Pisada eu fui, massacrada, humilhada
Agora renasci, desencarcerada
Sofrerá cada gota de dor
Engolirá cada suspiro de tristeza
Ah, vai, idiota!

Passou o batom
Pegou a bolsa
Olhou-se no espelho
Saiu e bateu a porta!

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Flávio