12 de janeiro de 2009

Desejo e Reparação



Em nosso dia-a-dia quase sempre fazemos as coisas automaticamente, sem pensar na consequência de cada atitude.

Num momento de raiva podemos ofender uma pessoa querida; num momento de descuido podemos destruir uma amizade valiosa; num momento de tristeza podemos cometer um ato irresponsável...

Algumas vezes temos a oportunidade de voltar atrás e corrigir o erro cometido, mas em muitas vezes isso não acontece! Temos que conviver para sempre com o arrependimento, o tormento e a angústia. Diria que é mais fácil buscarmos ser uma pessoa melhor em nosso dia-a-dia cultivando uma atitude preventiva diante de possíveis erros do que corrigir uma atitude errada depois de já feita.

Fiquei pensando em tudo isso quando assisti ao filme "Desejo e Reparação" (Atonement, EUA 2007) que fala do drama que envolve uma família de classe alta inglesa. A história começa em 1935, no dia mais quente do ano na Inglaterra, Briony Talles (Romola Garai) e sua família se reúnem para um fim de semana na mansão familiar. O momento político é tenso, 2ª Guerra Mundial, e, em meio ao calor opressivo, emergem antigos ressentimentos. Cinco anos antes, Briony, então aos 13 anos, usa sua imaginação de escritora principiante para acusar Robbie Turner (James McAvoy), o filho do caseiro e amante da sua irmã mais velha Cecília (Keira Knightley), de um crime que ele não cometeu. A acusação na época destruiu o amor da irmã e alterou de forma dramática várias vidas.

O filme reforça a idéia de que nossas atitudes podem destruir ou construir o nosso futuro e o das pessoas ao nosso redor. Você tem a chance de escolher, usando a ferramenta mais eficiente de que dispomos: a palavra.

Se eu fosse...



Se eu fosse um gênio, eu seria Thomas Edison
Se eu fosse um herói, eu seria Gandhi
Se eu fosse um ator, eu seria Cary Grant
Se eu fosse uma canção, eu seria One

Se eu fosse um pintor, eu seria Salvador Dali
Se eu fosse uma estrela, eu seria Marilyn Monroe
Se eu fosse uma mulher, eu seria Madonna
Se eu fosse uma bebida, eu seria suco de tomate

Se eu fosse uma roupa, eu seria jeans
Se eu fosse um carro, eu seria um Chrysler 300C
Se eu fosse um telefone, eu seria um Iphone

Se eu fosse uma cidade, eu seria Londres
Se eu fosse uma emoção, eu seria intensidade
Se eu fosse uma cor, eu seria vermelho
Se eu fosse um milagre, eu seria a gravidez

Se eu fosse um animal, eu seria um leão
Se eu fosse um leão, eu seria um homem
Se eu fosse um papa, eu seria João Paulo II
Se eu fosse um presidente, eu seria diferente

Se eu fosse um Deus, eu seria Shiva.

Se eu fosse um humano, eu seria como sou hoje!

6 de janeiro de 2009

I am because we are





"Se você estiver caminhando e encontrar alguém ncessitado em seu caminho, você poderá fazer a si mesmo a pergunta: se eu parar o que acontecerá a mim?

Esta é a pergunta errada!

A pergunta certa deveria ser: se eu não parar o que acontecerá a ele?"

(Minha tradução livre da introdução divulgativa do documentário "I am because we are" (2008 Madonna)




Fragmentos femininos




PARTE I - O desespero

Se você me abandonar
Talvez nem saiba, mas vou definhar lentamente
Não conseguirei mais comer pipocas frente a TV
Nem peru no natal
Não terei forças para acordar na segunda-feira
Nem me depilarei às sextas depois de um dia cansativo
Não farei mais chapinhas no cabelo
Nem cutículas irei arrancar
Não irei usar maquiagem, muito menos me perfumar
Não farei as sobrancelhas
Não ficarei sem comer brigadeiro
Muito menos doce de leite
Deixarei de ser mulher
Um monstro me habitará
Desilusões dementes brotarão

A cada dia, a cada hora, serei sugada pelo breu da morte
Serei amordaçada pela escravidão de seu amor
Serei torturada diante de meus desejos
Serei usada
Experimentada
Provada

Ah meu amor, Ah meu bem
Não me deixe, eu imploro você
Se pretende me desligar
Não me avise, apenas suma numa manhã chuvosa e fria
Não me dê calor, nem me alimente
Só me olhe, me acaricie
Estarei contente
Doente



PARTE II - A raiva

Tola eu acreditar e sonhar
Um humano incompleto, distorcido
Quis ser mãe, mulher, menina
Tola eu acreditar e sonhar
Um animal vadio
Em infinito cio
Disposto a jorrar seu sêmen
Mundano, nojento, sujo
Imundo

Tola, idiota, burra, ingênua, estúpida
Como fui tola!
Amar alguém bruto
Sem cor, sem vida, sem rumo
Idiota paguei o preço
Agora individada a vida cobra
Dei o meu melhor
Agora pago com o pior
Dor, tristeza, agonia
Raiva



PARTE III - A vingança

Não irei me sossegar
Quero todos os homens da terra
A me desejar, me querer, me olhar
Serei musa, deusa, afrodite, vadia
Da beleza, do prazer, da cama, da mesa
Da carne

Você perdeu - idiota!
Agora sigo meu rumo
Pagará cada minuto
Cada segundo, cada dia que gastei chorando
Pisada eu fui, massacrada, humilhada
Agora renasci, desencarcerada
Sofrerá cada gota de dor
Engolirá cada suspiro de tristeza
Ah, vai, idiota!

Passou o batom
Pegou a bolsa
Olhou-se no espelho
Saiu e bateu a porta!

5 de janeiro de 2009

Estamira, o lixo e a verdade




Num domingo chuvoso resolvi assistir ao documentário "Estamira" (Brasil, 2004) de Marcos Prado que nos mostra a vida de uma doente mental que passa seus dias em um lixão próximo à cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. De um lado as maravilhas de uma cidade apresentada aos turistas com seus dólares no bolso e do outro uma podridão de lixos e restos humanos alimentando uma minoria desgraçada e sofredora.

Não caia na tentação do julgamento viciado em achar que a doença mental dela veio desta pobreza... não, não foi... não se iluda. Sua mãe passou por alguns tratamentos psiquiátricos, de certa forma a genética foi-lhe desfavorável. Mas isso ainda não é tudo! Sua história de vida, que no documentário é mostrada em doses homeopáticas num tempo cronológico invertido, isto é, do final ao início, vai nos colocando em dúvidas em relação ao julgamento que possamos ter feito diante das atitudes por ela tomadas. Sua fala é recheada de delírios insanos e sábios, confusos e cristalinos, atordoantes e provocadores de reflexão.

A sua frase célebre: "não existem mais inocentes, mas sim espertos ao contrário", torna-se um marco de sua personalidade, projetando sua dor, raiva e frustração diante da vida e das pessoas.

Marcos Prado, fotógrafo que encontrou Estamira em 2.000 e aceitou a missão de mostrar a vida da "louca" do lixão, usou cenas a cores com iluminação natural e outras em preto-e-branco granulado, mas ambas com uma beleza e olhar único de um fotógrafo profissional. Buscou exibir o belo que existe no lado simples da vida, sem glamour, sem retoques e sem fantasias.

Estamira mulher mostra-se verbalmente agressiva, arrogante, vulgar e até certo ponto desagradável, mas é ouvida por Marcos em todos os seus clamores. O diretor força-nos a ouvir o clamor e a revolta da catadora de lixo contra um "deus estuprador" e contras os médicos "copiadores" de receitas. Revolta-se contra os estupros sofridos, contra o marido que a traiu descaradamente, as agressões da infância e também contra a maldade humana em toda a sua amplitude.

O documentário exibe os desamparo humano social, econômico e político. São questionadas as condições dos hospitais psiquiátricos, dos tratamentos reduzidos às drogas farmacológicas - mesmo as adequadas - que têm o intuito de amenizar o breu das psicoses, mas correndo o risco de deixar de lado ouvir o outro. Estamira mulher nos faz refletir muito sobre a realidade insuportável da vida na pobreza.

A imagem final transfigura-se a imagem da mulher sofrida que lava sua alma num mar violento e vigoroso que a derruba e a faz curvar ao chão para então fazê-la sorrir. Tudo isso com a beleza dos morros cariocas aos fundos. A pobreza desgraçada, moldada pela beleza capitalista e aristocrática fluminense.

Sobre Deus, ela vocifera:

"Que Deus é esse? Que Jesus é esse, que só fala em guerra e não sei o quê?! Não é ele que é o próprio trocadilo? Só pra otário, pra esperto ao contrário, bobado, bestalhado. Quem já teve medo de dizer a verdade, largou de morrer? Largou? Quem ando com Deus dia e noite, noite e dia na boca ainda mais com os deboches, largou de morrer? Quem fez o que ele mandou, o que o da quadrilha dele manda, largou de morrer? Largou de passar fome? Largou de miséria? Ah, não dá!"

Quem sou eu para dizer mais alguma coisa... Estamira é sábia em suas falas e humanas em suas agressões!

Quanto é?



Qual é o seu preço?

O que você é capaz de fazer para conseguir realizar os seus objetivos e suas ambições?

Para algumas pessoas o amor não existe, é apenas uma troca de interesses e usos. Todo este ideal romântico e poético nada mais é do que balela filosófica. Para outros o amor não passa de uma forma de dominação medieval religiosa do homem sobre a mulher.

Assim como o amor, para alguns, o dinheiro é considerado o mal da humanidade, pois é por ele que a maioria dos povos entram em guerra; as pessoas se matam, traem, corrompem; milhões de pessoas morrem de fome anualmente etc.

Existe uma forma de usá-lo sem ser corrompido por ele?

Quer pensar mais sobre o tema ou confundir mais ainda suas reflexões?

Assista ao filme "Crepúsculo dos deuses" (Sunset Blvd) um clássico americano de 1950 que nos oferece um banho de interpretação da protagonista Gloria Swanson como Norma Desmond. Um filme para rechear a alma, os olhos, os ouvidos... uma obra rara e atemporal, mais atual do que quando foi criada, certamente! Vencedora de três Oscar, a versão do diretor Billy Wilder desta bizarra história é um verdadeiro clássico do cinema. Da inesquecível primeira cena até o inevitavelmente trágico desfecho, o filme é a palavra final sobre o lado cruel de Hollywood.

Depois de assistí-lo, me responda:

O dinheiro compra tudo?
Pense bem nisso... saia da resposta automática e aprofunde sua reflexão!

Qual é o seu preço?


2 de janeiro de 2009

Escolha um 2009


Salvador Dalí - Criança e Geopolítica Observando o Nascimento do Homem Novo


Algumas pessoas têm a mania pegajosa de colocar a culpa (do que lhes acontece) em tudo e em todos. Escolhem viver em seu viciado mundinho reclamando como se fossem vítimas da maldade alheia o tempo todo. Outras pessoas assumem suas escolhas de frente - com seus erros e acertos - e seguem adiante, trilhando caminhos, desbravando matas fechadas à procura de clareiras.

O filme "O homem do ano" (Brasil, 2003) fala das nossas escolhas (conscientes e inconscientes) e no que elas implicam. Basicamente fala do anti-herói chamado Máiquel (Murilo Benício). Um rapaz da periferia carioca, que perde uma aposta, pinta o cabelo e vende a alma ao diabo. Moreno, se vê obrigado a ficar louro para cumprir com a palavra e acaba sentindo-se um novo homem, assumindo assim uma nova personalidade. Quando terminei de assistí-lo fiquei com um pensamento insistente na cabeça: somos aquilo que escolhemos - tanto para o bem quanto para o mal.

O ano novo chegou, viva 2009, cheio de novas esperanças, escolhas, arrependimentos, sonhos, desejos... eu gosto da energia que fica no ar nesta época do ano. As pessoas sorriem mais, abraçam-se mais, presenteam-se mais, comem mais (não que isso seja bom!)... pena este comportamento durar menos de uma semana. Seria também proveitoso pensarmos se o que foi prometido no final de 2007 foi cumprido em 2008.

Lembre-se: suas escolhas são livres, mas as consequências nem sempre!

Deixe o homem novo surgir em você!

FELIZ 2009 escolhas e 2010 acertos!