4 de dezembro de 2008

(I)mundo oculto


Reprodução do original: O grande masturbador - Salvador Dalí

As pessoas (se) escondem
Ocultam desejos, miram sonhos e devaneios mal traçados
Constroem muros, barreiras, fortalezas, bunkers
Esquecem das pontes, das escadas, das trilhas, dos atalhos

Frenética busca inconstante
Baseada no eterno "não sei o que"
É trânsito, é trabalho, é namoro, é sexo
É cinema, é shopping, é televisão
É dormir, é sonhar, é acordar
É conta, é dor, é suor

Corpos perfeitos emolduram nossos olhos
Lindas Giseles, perfeitos Malvinos
- Use o jeans "x" e seja perfeito!
Salientam nossos defeitos
Massacram nossa coragem
Tiram nosso sono
Inqueitam-nos
Versace salientaria

Criança drogada no chão
Assalto à mão armada, coração frágil
- Tio, dá um trocado!
É violência, é atraso, é correria
É perder, é lutar, é desistir
É comer, é rir, é chorar sem rir
É ganhar, é trair, é lutar
Freire estudaria

Rios de dinheiro
Poluição onipresente
Câncer, gripe, febre, vírus
- Moço, dá um antibiótico!
Toma, bebe, dorme
Imundo por dentro, sujo por fora
Assustador na periferia
Lobo na pele de cordeiro
Lixo humano
Esopo riria

Casamento faliu
Namoro raro
Ficar, transar, experimentar, experienciar - eis o lema
Hétero (ssexual), Gay, Homo (ssexual), Bi (ssexual), In (deciso)
Mulher masculinizada, homem efeminado
Salda de fruta sexual
Freud dissecaria

Personalidades mutiladas
Pessoas jogadas
Sobrevivência - eis o lema!
Darwin entenderia

Pessoas frenéticas
Onde corpos perfeitos
Desenvolvem uma violência aguda
Roendo-se numa podridão oculta
Elevando-se ao sexo transviado

Ser mutilado
E ainda transmutado
Resta o vasto mundo

Imundo

São Paulo, 04/12/08

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