12 de dezembro de 2008

Ensaio por dentro



Um desejo depressivo invade seu corpo. Ele não entende o motivo, mas sente-se mal, despedaçado e sem força para viver. Olha para todos em sua volta e não acha a menor graça no que as pessoas falam, riem ou fazem. Pelo contrário, acha tudo estúpido e idiota demais!
Por que as pessoas fingem sentir o que não sentem?
Pelo que as pessoas vivem e trabalham? Buscam o que afinal de contas?
O amor não existe. As pessoas projetam seus interesses no outro! – dizia ele a si mesmo.
Uma dor de cabeça insiste em suas têmporas, causando um certo mal estar suportável.
Passa a mão pelos cabelos, mas fica irritado com a textura dos fios, parecem secos e opacos.
A vontade que ele sentia era ficar em casa trancado quietinho no escuro no total silêncio.
Será que estou depressivo? – questionava-se.
Olha seus e-mails pessoais e não lê nada que lhe desperta a atenção, seleciona tudo e deleta.
O mundo lhe parece cinza, o tempo está cinza lá fora, dentro dele também.
Procura uma música para ouvir, mas qualquer tipo de som o deixa irritadiço.
Foi até o banheiro, lavou o rosto. Olhou-se e odiou o que viu.
Saco, o que está acontecendo comigo? – pergunta-se.
Por alguns instantes pensou em se matar, dar um fim neste mal estar generalizado.
Quanto tempo as pessoas notarão a minha ausência e me encontrarão morto em casa? – maquiavelicamente pensou. Teve medo da resposta.
Não acreditava em deus, muito menos em vida após a morte. Um pensamento invadiu-lhe a mente: E se existir algo depois que morremos? Você pode estar colocando tudo a perder, seu idiota! Deixa de ser covarde e fraco, encare as coisa e frente!
Procurou em suas memórias alguma lembrança agradável que lhe trouxesse sensações positivas a respeito da vida. Buscou em seu celular o telefone de amigos, talvez se ligasse para algum deles seria resgatado deste umbral depressivo. Desistiu.
Eu odeio multidão, odeio confusão de gente, odeio as pessoas! – rogou praga a si mesmo.
Gastava muita energia odiando e pouca energia construindo. De onde vem tanto ódio?
Resolveu ler um pouco, afinal de contas ler era algo que ele fazia com imenso prazer.
Por minutos ficou parado olhando para parede, sem nenhum movimento.
Sua cabeça rodava, mil pensamentos povoavam sua mente.
Viver é uma idiotice, pois nem sabemos o que nos espera! Seres humanos são tão tolos! – ao dizer estas palavras lembrou de seu pai. Teve fome, resolveu tomar água. Estou gordo! – beliscou a barriga. Aquele mal estar insistia e ele não teve dúvida, tomou 3 comprimidos para dormir e foi para o sofá assistir filmes policiais. Era estranha a sensação que ele tinha toda vez que assistia a um filme policial, parecia ter prazer em ver armas de fogo. Um prazer lúgubre, insano. Adormeceu.

Um comentário:

  1. Flávio,

    Apena hoje, que coisa feia de dizer, é que tive tempo de ler todos os textos que vc me enviou. O que a falta de tempo e, às vezes, até de ânimo fazem com as pessoas? Mas o que importa é que li todos eles e quero te dar muitos parabéns, pois vc escreve maravilhosamente bem! Quero desejar também um Feliz Natal e tudo de bom em 2009. Eu também dei muitas risadas assistindo a Friends e me senti meio abandonada quando a série terminou. Um beijo, Daniela.

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Agradeço o seu comentário, é sempre bom exercitarmos a nossa melhor e mais eficiente qualidade: comunicação!
Forte abraço,
Flávio